Em missão oficial à China, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deu nesta quinta-feira (25) o primeiro passo formal para a emissão de títulos soberanos brasileiros em yuan, os chamados “Panda Bonds”. O ministro protocolou junto aos órgãos reguladores do merc…

Em missão oficial à China, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deu o primeiro passo formal para a emissão de títulos soberanos brasileiros em yuan, os chamados “panda bonds”. O ministro protocolou junto aos órgãos reguladores locais a Carta de Apresentação da República, documento que inicia o processo para a operação.

A carta descreve a economia do Brasil e apresenta as diretrizes da operação e do uso dos recursos a serem captados. A emissão em yuan faz parte da estratégia do Tesouro Nacional de diversificar as fontes de financiamento da dívida pública e ampliar o acesso a diferentes mercados e bases de investidores internacionais.

Segundo Durigan, a expectativa é concluir as etapas necessárias para que a emissão ocorra nos próximos meses.

“Não há países melhores do que o Brasil e a China para mostrar que podem coliderar a economia mundial trabalhando juntos, construindo vidas melhores para os seus cidadãos. Estamos prontos para emitir os panda bonds – e pretendemos fazer isso nos próximos meses, à medida que damos os próximos passos junto ao Banco Popular da China.”

O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, ressaltou que o protocolo da carta representa apenas o início do processo. A emissão depende da conclusão dos procedimentos legais e operacionais aplicáveis e das condições de mercado vigentes à época da operação.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 prevê a possibilidade de emissões em outras moedas além do dólar. “Tal objetivo já foi parcialmente cumprido com a operação realizada em abril no mercado europeu, mas segue em evolução com os passos que estão sendo tomados para a emissão inaugural no mercado chinês”, disse o Ministério da Fazenda em nota à imprensa.

Durigan também iniciou, pela China, uma rodada de roadshows do Eco Invest Brasil na Ásia para apresentar o programa a investidores e atrair capital para projetos de transformação ecológica, inovação e desenvolvimento produtivo. Após a etapa em Xangai e Pequim, a agenda seguirá para Japão e Coreia do Sul.

Um dos principais temas da missão é o 5 Leilão do Eco Invest Brasil, nova rodada do programa voltada à criação de fundos de inovação e à aproximação entre capital, ciência, indústria e mercado.

Para o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, a escolha da Ásia reflete a convergência entre as prioridades do Brasil e a capacidade tecnológica, industrial e financeira dos países da região, especialmente em setores ligados à transição ecológica e à inovação produtiva.

“China, Japão e Coreia do Sul estão entre os principais centros globais em tecnologia, indústria e financiamento de longo prazo, áreas diretamente conectadas às cadeias que o Brasil quer desenvolver com o Eco Invest”, afirma Ceron.

O Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 140 bilhões para financiar projetos sustentáveis no país, dos quais mais de R$ 63 bilhões serão captados no exterior.