Atualmente, apenas quatro países são liderados por governos progressistas na região; o mais relevante é o Uruguai

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23.jun.2026 às 23h00

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A vitória da ultradireita na Colômbia confirma a onda conservadora na América do Sul e, quatro meses antes das eleições no Brasil, praticamente isola Lula (PT) na região.

Em 2022, quando o petista foi eleito, o cenário era o oposto. Naquele ano, Argentina, Bolívia, Chile, Guiana, Peru, Venezuela e a própria Colômbia eram governadas pela esquerda. A vitória de Lula parecia ser o prenúncio de uma nova versão da onda rosa na América Latina, como ficou conhecido o período dos anos 2000 em que governos de esquerda triunfaram na região.

Quatro anos depois, foram as forças de direita que provaram sua resiliência. Atualmente, há um bloco conservador nos Andes: Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina são governados pela direita e ultradireita.

O segundo caso é o do Equador de Daniel Noboa, da Argentina de Javier Milei e do Chile de José Antonio Kast. A Colômbia vai se juntar ao grupo em julho, quando o presidente eleito do país, Abelardo de la Espriella assume o poder; já o Peru, em uma lenta apuração de votos desde o início de junho, deve confirmar nos próximos dias a populista de direita Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, na Presidência.

De países relevantes para a política internacional alinhados a Lula na região sobram Uruguai, governado por Yamandú Orsi desde 2025, e Venezuela, embora a força deste em fóruns internacionais seja limitada. Além disso, Caracas está sob tutela dos Estados Unidos desde o ataque de Washington ao país para depor e capturar o ditador Nicolás Maduro.

A eleição na Colômbia foi celebrada pela direita nas horas seguintes à divulgação da apuração preliminar das eleições do domingo. Milei foi um dos primeiros a se manifestar. "O leão e o tigre rugem na América Latina!", afirmou o presidente argentino no X, evocando os felinos que ele e Espriella, respectivamente, usam como símbolos. "A liberdade está avançando por toda a América Latina e não há volta."

Em seguida, foi a vez de Noboa. "Hoje, a Colômbia escolheu a ordem em vez da impunidade", escreveu no X. "Compartilhamos a convicção de que nossa região merece segurança, progresso e governos que enfrentem o crime sem desculpas."

Keiko, que alguns dias antes havia recebido apoio do advogado, também se manifestou. "Sem dúvida, novos ventos sopram na América Latina." Kast felicitou o aliado na segunda (22). "Os ideais de liberdade continuam a se espalhar por toda a América Latina."

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O Brasil não ficou de fora. Embora Lula ainda não tenha se pronunciado, Flávio Bolsonaro (PL), seu provável adversário no pleito de outubro, afirmou em um vídeo que "as agendas de direita continuam triunfando em toda a América". "Sua vitória é a vitória do bem sobre o mal. Que Deus lhe dê sabedoria, saúde e força", disse o senador, que entrou em contato com Espriella durante a campanha do colombiano.

Ainda não está claro se Flávio conseguirá entrar na onda. Além de enfrentar o escândalo relacionado à sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador, que herdou o espólio do ex-presidente Jair Bolsonaro, é um político mais tradicional do que Espriella e até mesmo do que seu pai. Nas últimas semanas, aliás, tem tentado até mesmo moderar o discurso diante da rejeição que seu sobrenome enfrenta.

A notícia foi comemorada também na Casa Branca, que, sob Donald Trump, voltou a enxergar a América Latina como sua principal zona de influência. Logo após a divulgação da apuração inicial, que ainda deve ser confirmada pela contagem oficial até o final da semana, Espriella afirmou em uma transmissão ao vivo que havia falado com o presidente dos EUA.

No dia seguinte, Trump, que apoiou o candidato ao longo da campanha, tomou para si o crédito da vitória do colombiano. "Ele estava em décimo lugar na época [em que o respaldei], e foi por isso que ganhou", afirmou ele a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, embora o apoio tenha ocorrido após o primeiro turno. "Ele ganhou com facilidade", continuou, o que tampouco é verdade, já que essas eleições foram as mais disputadas da história da Colômbia.