A companhia norte-americana de inteligência artificial Anthropic afirmou em um relatório de ...
A companhia norte-americana de inteligência artificial Anthropic afirmou em um relatório de inteligência de ameaças divulgado na quinta-feira que vários agentes utilizaram seus produtos para atividades que vão desde o desenvolvimento de armas e operações ‌de espionagem eletrônica até vigilância e fraudes.
Aqui estão alguns dos casos mais notáveis descritos no relatório, conforme alegado pela Anthropic.
• DEFESAS AÉREAS DA CHINA E DE TAIWAN: A Anthropic afirmou que um agente sediado na China utilizou o chatbot Claude para desenvolver um pacote de software de guerra eletrônica e supressão de defesa aérea que classificava alvos e simulava interferência de radar. Durante o projeto, o agente alterou uma simulação para incluir 12 alvos em Taiwan, entre eles radares de alerta antecipado, baterias de mísseis Patriot e Tien Kung, bases aéreas e um bunker de comando. A Anthropic afirmou que informações das contas ligavam o agente a instituições de pesquisa chinesas, incluindo a Academia de Ciências Militares do Exército Popular de Libertação. A Anthropic baniu as contas ligadas ao agente.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou não ter conhecimento do relatório da Anthropic e que o governo defende que a inteligência artificial deve ser desenvolvida para o bem e se opõe à distorção dos fatos e às calúnias contra o país.
A China reivindica Taiwan como seu próprio território e nunca renunciou ao uso da força para colocar a ilha sob seu controle. Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.
• SISTEMA ANTITORPEDO CHINÊS: A Anthropic afirmou que outro agente sediado na China utilizou o Claude para ajudar a desenvolver especificações e software de controle de fogo para um sistema antitorpedos destinado à Marinha chinesa. O agente utilizou o Claude para elaborar uma proposta técnica de mais de 200 páginas, comparar o sistema com a tecnologia da Marinha dos EUA e simular análises técnicas hostis para aprimorar a proposta. "Avaliamos que o agente estava ‌associado a um fabricante da indústria de militar chinesa com o objetivo de produzir uma especificação de armas e uma proposta de aquisição para a Marinha do Exército Popular de Libertação", afirmou a Anthropic.
• PESQUISA CHINESA SOBRE ARMAS DE MICROONDAS: Um agente de inteligência na China utilizou o Claude para pesquisar armas de microondas de alta potência estrangeiras, identificar componentes e fornecedores e rastrear cadeias de suprimentos, afirmou a Anthropic. O agente buscou informações que pudessem ajudar na engenharia reversa das armas e no desenvolvimento de contramedidas, além de redigir relatórios confidenciais para funcionários de alto escalão do Partido Comunista Chinês, das Forças Armadas ou da segurança do Estado, informou ‌a empresa.
• DESENVOLVIMENTO DE MÍSSEIS NO IÊMEN: A Anthropic informou que um grupo de agentes mal-intencionados no norte do Iêmen utilizou o Claude para ajudar a desenvolver software para um foguete guiado, ‌um míssil balístico com alcance de mais de 2.000 quilômetros e uma variante de míssil que incorpora um veículo de planagem hipersônica. Os agentes utilizaram o Claude para programação, simulação e solução de problemas, inclusive após um teste com o foguete guiado que aparentemente falhou. A Anthropic afirmou não ter evidências de que eles tenham conseguido colocar em campo uma arma operacional. "Nossas salvaguardas bloquearam muitas de suas solicitações, mas não todas", disse a Anthropic.
A revelação ocorre no momento em que os houthis, alinhados ao Irã e que controlam a maior parte do norte do Iêmen, intensificaram os ataques à Arábia Saudita e à sua infraestrutura petrolífera. O relatório da Anthropic não identificou se os agentes da ameaça eram ou não houthis.
• ENXAME DE DRONES RUSSOS: A Anthropic afirmou que provavelmente agentes independentes baseados na Rússia usaram o Claude para desenvolver software para um enxame de drones de ataque autônomos com visão em primeira pessoa, incluindo orientação terminal, seleção de alvos e coordenação entre várias aeronaves.
Pequenos drones de ataque com visão em primeira pessoa (FPV) tornaram-se uma arma central na guerra na Ucrânia, onde Rússia e Ucrânia os têm empregado em grande escala para reconhecimento e ataques.
A Embaixada da Rússia em Washington não respondeu às perguntas sobre alegações específicas feitas pela Anthropic ou sobre o relatório como um todo.
• AQUISIÇÃO DE COMPONENTES PELA RÚSSIA: A Anthropic afirmou que um gerente de compras baseado na Rússia utilizou o Claude para identificar intermediários na China e em Hong Kong com o objetivo de adquirir produtos de fabricação europeia com possíveis usos militares e traçar rotas por meio de países terceiros que pudessem ocultar seu destino.Entre os itens ‌procurados estavam magnetômetros de fabricação alemã, wafers de chips fotovoltaicos de grau espacial e sistemas de oxigênio para aviação, segundo a Anthropic. A Rússia tem recorrido cada vez mais a intermediários e rotas comerciais alternativas para obter tecnologia estrangeira desde que os países ocidentais impuseram sanções abrangentes e restrições à exportação após a invasão da Ucrânia.
PESQUISA BIOLÓGICA
A Anthropic ‌detalhou cinco estudos de caso de pessoas que tentaram usar "nossos modelos de maneiras que poderiam apoiar o desenvolvimento de armas biológicas".
As tentativas incluíram esforços para obter a ajuda do Claude na elaboração de um pedido de subsídio para financiar pesquisas sobre a modificação do vírus da chikungunya em um local onde a Anthropic não oferece seus serviços. Em outro caso, também em um local onde a empresa não opera, o que exige que os usuários ocultem sua localização para utilizar os serviços, a Anthropic afirmou ter detectado esforços para pesquisar a gripe aviária altamente patogênica. Outros exemplos incluíram pesquisas relacionadas ao ortopoxvírus e a novos venenos e toxinas não transmissíveis, informou a Anthropic.
OPERAÇÕES ELETRÔNICAS
• OPERAÇÕES NA CHINA: A Anthropic afirmou que operadores de língua chinesa, provavelmente baseados em Changsha, ‌capital da província de Hunan, na China central, utilizaram o Claude em operações digitais contra cerca ‌de 50 organizações, incluindo redes de governos estrangeiros.O grupo, que segundo a Anthropic incluía dois estudantes universitários de Hunan, utilizou fluxos de trabalho impulsionados por IA para buscar vulnerabilidades de software até então desconhecidas, desenvolver formas de explorá-las e conduzir partes das inva




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