Artista revê sistemas de controle em quadros e instalações

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Davi Galantier Krasilchik

Redes de pesca reúnem pedras, sandálias, garrafas e outros objetos. Elas pendem do teto com materiais antes submersos, afastados do olhar humano. Para Carolina Caycedo, cada uma representa um universo, composto por memórias diferentes.

"As tarrafas [redes circulares] carregam heranças e cosmologias. São flexíveis —agarram o sustento, mas deixam a água passar. A sociedade seria melhor se fosse como elas", diz a artista, cujas pinturas, fotos e instalações denunciam distâncias entre o homem e o espaço.

Criada às margens do rio Magdalena, que tem sido afetado pela construção de barragens, a colombiana abre "Confluências", a sua primeira mostra individual no Brasil, com um par de olhos. Espécie de manifestação das forças aquáticas, a escultura inverte a hierarquia entre observador e paisagem.

Feita com bacias de vidro e presa à parede por redes, a peça vigia os espectadores que perambulam pelo Masp, em São Paulo. É um jeito, afirma Caycedo, de nivelar relações entre a humanidade e a natureza, já que a obra revê tradições coloniais, que reduzem ambientes ao extrativismo.

É dessa subversão que vêm, também, trabalhos da autora que exibem terras reviradas, lagos ressecados e a destruição de outras fontes naturais. Na primeira sala da mostra, por exemplo, paredes opostas ilustram um ciclo simbólico.

De um lado, "O Colapso do Modelo" sobrepõe imagens de Brumadinho, em Minas Gerais, antes e depois da tragédia de 2019, e resgata áreas soterradas pelo rompimento de barragens da mineradora Vale.

Do outro, fotos de satélites mostram o ressurgimento do rio Elwha, em Washington, após a retirada de barragens. Foram anos de protestos que recuperaram cursos hídricos, matas ciliares e a circulação de determinados peixes.

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A colaboração com ONGs ativistas, aliás, é comum à colombiana. Entre esses murais, a instalação que dá nome à exposição mistura bonés, camisetas e panos de grupos envolvidos em causas como a reforma agrária e a demarcação de territórios indígenas.

O resultado é um tipo de corredor, feito de artigos que a artista ganhou na COP30, que costura pautas sociais. A curadora Isabella Rjeille descreve a obra como uma cápsula do tempo.

"Gosto que o público tenha de olhar para baixo, para cima, para os lados e se sinta abraçado pelo espaço expositivo", afirma Caycedo, que compara a pequenez do homem com a escala monumental da natureza.

"Os tecidos são flexíveis e reforçam a ideia de que objetos respondem ao espaço público em seu entorno. Vejo minha produção como um laboratório."