O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, rejeitou a hipótese de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno e disse que só endossaria Flávio Bolsonaro (PL) se o senador conseguir provar que não está envolvido em corr…

O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, rejeitou a hipótese de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno e disse que só endossaria Flávio Bolsonaro (PL) se o senador conseguir provar que não está envolvido em corrupção.

“Não apoiaria em hipótese alguma Lula”, disse na quinta-feira (10), sob aplausos de uma plateia de convidados da Genial Investimentos, na Faria Lima, em São Paulo. “Agora, o Flávio, pelo amor de Deus, está atolado com o Banco Master até as últimas consequências”, completou, antes de condicionar um eventual apoio ao senador.

Cury repetiu que espera estar no segundo turno, mas indicou que não ficará neutro se a disputa se afunilar entre os dois atuais líderes das pesquisas. “Ele [Flávio] teria que provar que não é corrupto, explicar o ‘Dark Horse’ [...] e pegar meu plano de governo, ir a um cartório e fazer um registro de que vai cumprir”, disse. “Ele vai ter que se explicar muito. Se explicar bem, claro [que o apoio].”

Ao fim do evento, o presidenciável citou a jornalistas a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, do Master, e lembrou que o ex-banqueiro “estava com tornozeleira eletrônica” quando o senador “foi lá pedir uma parte do dinheiro” ainda devido. “Essa promiscuidade com o Master tem que ser resolvida, doa a quem doer.”

Terceiro colocado nas pesquisas, Cury voltou a defender o avanço das investigações e afirmou esperar que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, “vá até as últimas consequências”. No entanto, ele evitou tomar lado no embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, defendendo uma saída institucional para a crise e pregando mudanças nos critérios de indicação e permanência na Corte. A campanha de Cury avalia que ele deve manter o discurso crítico à polarização e evitar atrair rejeição, caso assuma uma posição mais categórica sobre o conflito no STF.

Questionado sobre um eventual impeachment de Moraes, o presidenciável não descartou a possibilidade e disse que o ministro, como todas as demais autoridades, deve se submeter ao crivo das investigações, embora não queira fazer “juízo prévio”. “Se ele não deve, ele continua. Se deve, deve ser ‘impeachmado’ [sic]. Nenhum ministro está acima da lei.” Apesar do apelo, ele colocou em xeque a capacidade da Corte de dar respostas. “[O desfecho] tem que ser rápido, célere, o mais rápido possível. O país precisa ser passado a limpo. Honestamente dizendo, do jeito que está, eu não sei se isso vai ser levado até as últimas consequências”, disse.

O presidenciável propõe mandato fixo para ministros do STF, com período limitado a oito anos, e afirma que, se eleito, vai instituir regras para barrar interferências políticas e aumentar a independência dos magistrados, como uma quarentena para aqueles indicados que tenham sido filiados a partidos.

Cury também criticou o governo Lula pela “irresponsabilidade fiscal altíssima”, com impactos na taxa de juros. Indagado sobre como conciliaria o corte de gastos com as políticas sociais que diz levar “no coração”, foi evasivo. “Se eu tivesse todas as respostas, nós teríamos um país completamente isento de problemas”, disse. Diante de perguntas sobre como equilibrar a situação fiscal e fazer ajustes para atender a setores prejudicados pelo eventual fim da escala 6x1, o candidato disse que precisa “estudar antes” os temas e fazer auditorias nos números do governo federal para encaminhar soluções. “Não quero dar respostas prontas.”

Ele citou uma série de economistas, políticos e especialistas que desejaria ter em seu governo e no Ministério da Fazenda, mas justificou que ainda não tem um nome para a área econômica porque as pessoas que quer em convidar estão hoje comprometidas com outras funções. O presidenciável falou em medidas como taxação das “bets” para alcançar a meta de déficit zero, declarou que “toda empresa estatal ineficiente tem que ser privatizada” e disse que a reforma tributária exige ajustes para que pequenas empresas não saiam prejudicadas.

Na quarta (9), Cury foi recebido na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para um café com o presidente da entidade, Paulo Skaf. O presidenciável disse concordar com um manifesto que tem a Fiesp entre os signatários e pede que o STF examine, sem corporativismo, os fatos sob suspeita.

O candidato do Avante também se reuniu com representantes da Galápagos Capital, na terça-feira (8). Segundo a assessoria, o encontro “integrou a agenda de interlocução da campanha com o mercado financeiro e empresarial”, com discussões sobre temas ligados à geração de empregos, empreendedorismo, inovação e responsabilidade fiscal.

Após a reunião, Cury disse que um dos temas abordados com a Galápagos foi a taxa de juros “insuportável” no país, que tem afetado empresas, comércios e famílias. “O Brasil tem que ser responsável fiscalmente. O governo tem que ser mais enxuto, mais eficiente”, afirmou, ao defender o corte de cargos comissionados da máquina federal e medidas para aumentar a produtividade, a fim de compensar deficiências futuras na Previdência.