Democratas cobram explicações de Trump por vistos a Flávio Bolsonaro e acusam Marco Rubio de facilitar viagem aos EUA.

Às vésperas das eleiçõesDemocratas cobram explicações de Trump sobre vistos a Flávio Bolsonaro e criticam RubioPor John Lucas

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleO deputado democrata Joaquin Castro. (Foto: Lenin Nolly/EFE)Ouça este conteúdo

Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos passaram a cobrar explicações do governo do presidente Donald Trump sobre a concessão de vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares, que chegaram a Miami nesta quarta-feira (28).

Deputados e um senador americano criticaram a decisão da Casa Branca de receber o ex-candidato à Presidência do Brasil e acusaram o secretário de Estado, Marco Rubio, de ajudá-lo a deixar o país para, segundo eles, "evitar investigações judiciais". As manifestações ocorrem a menos de uma semana das eleições legislativas americanas, marcadas para a próxima terça-feira (3), quando os americanos definiram o controle do Senado e da Câmara dos EUA.

Um dos primeiros a se manifestar sobre o assunto foi o deputado democrata Joaquin Castro, do Texas. Castro é o principal nome da oposição na Subcomissão do Hemisfério Ocidental da Câmara dos Deputados. Em uma publicação no X, ele questionou a concessão dos vistos e exigiu esclarecimentos sobre o envolvimento das autoridades americanas na viagem.

“Perder uma eleição não é motivo para asilo”, escreveu Castro sobre a viagem de Flávio aos EUA. O congressista citou as investigações contra Flávio no Brasil, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e lembrou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o senador entregasse seus passaportes. Flávio nega as acusações.

“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em violação à legislação brasileira”, afirmou o deputado.

A bancada democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara também criticou o governo Trump. Em publicação nas redes sociais, o grupo comparou o tratamento dado a Flávio com as restrições impostas pelo governo americano a refugiados de países que enfrentam guerras e crises humanitárias. “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio estende o tapete vermelho para Bolsonaro”, afirmou a bancada democrata.

“Aparentemente, fugir da violência não é suficiente para se qualificar [a um pedido de asilo]. Negar resultados eleitorais, sim”, acrescentou.

O deputado democrata Jim McGovern, de Massachusetts, acusou diretamente o secretário de Estado americano de colaborar com Flávio para, segundo ele, "evitar que ele responda às investigações brasileiras".

“Flávio Bolsonaro é um cidadão estrangeiro sob investigação criminal. Rubio está agindo em conluio com ele para escapar da Justiça”, escreveu McGovern no X.

O parlamentar ampliou as críticas ao governo Trump, afirmando que pessoas acusadas de tentar escapar da responsabilização judicial encontraram acolhimento no atual governo americana.

“Fascistas covardes e bandidos autoritários costumavam fugir para a Rússia ou Arábia Saudita para evitar a responsabilização. Esta administração os acolhe nos Estados Unidos. Repugnante”, declarou.

Outro deputado democrata, Shri Thanedar, de Michigan, afirmou que Flávio deveria enfrentar as acusações feitas contra ele no Brasil. Segundo o congressista, Rubio poderia impedir sua entrada nos Estados Unidos, mas não teria disposição para isso. O senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, comparou a chegada do senador brasileiro nos EUA com as decisões do governo Trump de restringir mecanismos de proteção migratória para estrangeiros que já vivem nos Estados Unidos.

“Trump está basicamente concedendo a Bolsonaro o Status de Proteção Temporária, enquanto o retira de inúmeros haitianos, afegãos e outros que construíram suas vidas nos Estados Unidos”, afirmou Kim. O senador classificou o episódio como mais um exemplo do que considera favorecimento de aliados políticos por parte de Trump.

Já o deputado Morgan McGarvey, do Kentucky, questionou a política migratória americana diante da entrada do brasileiro. “O governo Trump diz que não quer criminosos entrando em nosso país. A menos que sejam tão corruptos quanto ele”, escreveu.

A reação dos democratas acontece poucos dias antes das eleições de meio de mandato, nas quais os americanos escolherão todos os 435 integrantes da Câmara dos Deputados e renovarão parte do Senado.

A política de imigração de Trump é um dos temas do debate político americano. Os democratas estão tentando usar a entrada de Flávio nos EUA para questionar a diferença entre o tratamento concedido a um aliado de Trump e as restrições adotadas pelo governo para outros estrangeiros no país.

Em setembro, parlamentares democratas enviaram uma carta a Marco Rubio para questionar o que consideravam uma tentativa de interferência do governo americano na eleição brasileira. O documento foi assinado por 30 deputados e pelo senador progressista Bernie Sanders, que atua ao lado dos democratas no Congresso.

Flávio chegou a Miami nesta quarta-feira com a esposa e as duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador. O senador deixou o Brasil após uma determinação de Moraes para entregar seus passaportes no âmbito de investigações sobre suspeitas de crimes financeiros, que ele nega.