Movimentações de candidatura ao Senado paulista, ação no TSE e propostas econômicas marcam a segunda-feira (28) entre os candidatos

Movimentações de postulantes ao Senado paulista, ação no TSE e propostas econômicas marcam a segunda-feira (28) entre os candidatos

19:40 - atualizado às 19:17

Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente - Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil

A menos de uma semana para o primeiro turno, a movimentação política nesta segunda-feira (28) acelerou com decisões táticas no plano estadual, discursos econômicos voltados ao mercado, propostas de segurança pública e desdobramentos na Justiça Eleitoral.  

O grande destaque do dia foi a reconfiguração da disputa pelo Senado em São Paulo, cujos reflexos atingiram diretamente a corrida pela Presidência da República. 

O deputado federal Ricardo Salles (Novo) abriu mão da candidatura ao Senado por São Paulo durante ato público ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).  

Com a saída, Salles formalizou apoio aos candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), apoiados pelo governador.  

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Salles aparecia em quinto lugar, com 4% das intenções de voto.  

O cenário no estado mostra Marina Silva (Rede) numericamente à frente com 15%, seguida por Simone Tebet (PSB) com 14%, e Derrite e André do Prado empatados com 12% cada — todos em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. 

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), presente em agenda do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) na capital, classificou a decisão como um ato de grandeza para evitar a divisão dos votos da direita.  

As candidatas alinhadas à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram o movimento. Simone Tebet afirmou em rede social que Salles "se rendeu ao Centrão". Já Marina Silva declarou no X que a desistência "desrespeita seus eleitores" e representa uma tentativa da direita de deter o avanço de candidaturas femininas no campo progressista. 

Tarcísio de Freitas aproveitou o anúncio de Salles para defender publicamente a união da direita em torno do nome de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, citando a possibilidade de vencer a eleição contra o PT já no primeiro turno.  

O governador de São Paulo declarou que respeita candidaturas como as de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), mas apelou por gestos de união na reta final. 

Nos bastidores, aliados de Tarcísio de Freitas avaliam que o movimento eleva a pressão para que Zema abra mão da corrida ao Planalto, diante da ausência de crescimento nas pesquisas e da debandada de apoiadores no próprio Novo — como a candidata a deputada federal Marina Helena, que declarou voto útil em Flávio Bolsonaro. 

A assessoria de Zema afirmou que o ex-governador mineiro manterá a candidatura. Em contrapartida, Salles declarou que tem a "obrigação moral" de apoiar Zema enquanto ele estiver na disputa, mas ressaltou que apoiará o correligionário caso este opte por desistir em função do cálculo eleitoral do primeiro turno.  

No campo judicial, a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do registro da chapa de Lula e do vice, Geraldo Alckmin.  

A ação alega abuso de poder político e econômico pelo uso da estrutura do Ministério da Cultura em benefício da reeleição petista, citando também a ministra Margareth Menezes e outros servidores. 

Simultaneamente, Flávio Bolsonaro esteve no centro de uma controvérsia envolvendo boatos sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida — projeto que data de 2007 e foi autoria do ex-deputado Victório Galli.  

O candidato do PL negou os rumores, acusando apoiadores de Lula de espalharem a desinformação e criticando a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por suposta conivência. A entidade negou qualquer envolvimento com o boato. 

O episódio gerou reação de Ronaldo Caiado (PSD), que chegou a publicar no X uma crítica às declarações de Flávio Bolsonaro sobre a CNBB, pedindo "respeito pelas religiões".  

Mais tarde, Caiado apagou a mensagem e explicou, via assessoria, que retirou a postagem para evitar interpretações equivocadas, mantendo, contudo, a avaliação de que não se deve rebater uma fake news fazendo acusações sem provas contra a igreja. 

Outros postulantes ao Planalto cumpriram agendas focadas nas principais pautas de campanha nesta segunda-feira (28).