Proporção estava em 80,2% em abril; dívida líquida do setor público saltou de 67,2% a 67,9%

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30.jun.2026 às 10h00 Atualizado: 30.jun.2026 às 18h00

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Camila Moreira Marcela Ayres

São Paulo e Brasília | Reuters

A dívida bruta do Brasil subiu mais do que o esperado em maio em meio à taxa de juros elevada e o déficit do setor público consolidado foi pior do que a expectativa, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (30).

A dívida pública bruta do país como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi de 67,2% a 67,9%.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 80,7% para a dívida bruta e de 68,1% para a líquida.

Pela métrica do FMI (Fundo Monetário Internacional) —que inclui todos os títulos do Tesouro, ao contrário da medida do Banco Central do Brasil, que exclui os papéis que estão no seu balanço mas estão fora do mercado— a dívida bruta subiu para 94,3% do PIB, ante 92,9% no mês anterior.

O nível de endividamento do Brasil permanece bem acima da média de 77,2% do PIB projetada pelo FMI para as economias emergentes e em desenvolvimento em 2026, uma diferença que mantém os prêmios de risco elevados conforme os investidores exigem compensação para financiar o aumento dos gastos do governo em meio a preocupações com a disciplina fiscal.

O Tesouro Nacional projeta que a dívida bruta do governo geral fechará este ano em 83,5% do PIB e seguirá em trajetória de alta até 2029, quando chegará a 87,9%, segundo relatório divulgado nesta terça.

A partir de 2030, segundo o Tesouro, a relação dívida PIB passará a cair de forma contínua, encerrando 2036, fim do horizonte de projeções, em 83,1% -- patamar ainda superior aos 78,6% registrados no ano passado.

A alta da dívida esperada para este ano "se explica, principalmente, pelo nível dos juros nominais, que seguem pressionando a dívida nos anos seguintes", disse o Tesouro no documento.

Os pagamentos nominais de juros somaram R$ 107,55 bilhões em maio, elevando a conta de juros acumulada em 12 meses para 8,48% do PIB, o nível mais alto desde fevereiro de 2016, quando o Brasil enfrentava uma severa recessão econômica.

Em maio, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,13 bilhões, contra expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$ 53,5 bilhões.

O desempenho mostra que o governo central teve déficit de R$ 55,17 bilhões, enquanto estados e municípios registraram rombo de R$ 1,24 bilhão e as estatais tiveram superávit de R$ 273 milhões, mostraram os dados do Banco Central.

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