Uma roupa que já não faz parte do guarda-roupa de alguém pode ganhar uma nova história e ainda contribuir para transformar outras vidas. É com essa proposta que o Recife recebe, no dia 1º de outubro, a primeira Loja Humana da cidade, iniciativa da organização social Humana Brasil. Localizado na Rua do Hospício, 179, no bairro da Boa Vista, o brechó sustentável abrirá as portas às 9h, reunindo mais de 7 mil peças em um espaço de 250m2. Depois de Salvador, a capital pernambucana será a segunda do Brasil a receber o modelo de loja, que integra uma rede internacional voltada à reutilização de roupas e ao desenvolvimento social.

O diferencial está em uma cadeia sustentável que começa muito antes de as peças chegarem às araras. Por meio do projeto Repense Reuse, roupas e outros artigos têxteis são recolhidos em pontos de entrega voluntária instalados na Região Metropolitana do Recife e no interior de Pernambuco. O material segue para o Centro de Triagem da Imbiribeira, onde passa por seleção e preparação para retornar ao mercado. “A gente está trazendo para o Recife uma experiência que conecta aquilo que acontece no ponto de coleta com aquilo que o consumidor encontra dentro da loja. Existe toda uma cadeia por trás de cada peça, desde a coleta e a triagem até a preparação e a venda”, explica Ivanir Matos, gerente geral do Repense Reuse. Além da proposta ambiental, a nova unidade aposta em preços acessíveis e em uma experiência de compra diferenciada. O espaço climatizado contará com mais de 60 araras, distribuídas entre roupas femininas, masculinas e infantis, calçados, bolsas, acessórios e outros produtos. Até as cortinas dos provadores foram confeccionadas com jeans reaproveitado. Outro atrativo é a política de preços: a maior parte das roupas inicia um ciclo de vendas de três semanas com valores de até R$ 35, que diminuem progressivamente e podem chegar à faixa de R$ 4 nos últimos dias. Bolsas, calçados e determinados artigos terão preços específicos. Mas o impacto da iniciativa não termina no consumo consciente. A comercialização das peças gera recursos destinados aos projetos sociais apoiados pela Humana Brasil, enquanto a operação local contribui para a geração de empregos e o fortalecimento de pequenos empreendedores. A loja começa suas atividades com 16 funcionários e, somados aos dez profissionais do Centro de Triagem, serão 26 empregos diretos com carteira assinada. A estrutura também abastece brechós e bazares da Região Metropolitana por meio da comercialização de roupas no atacado. “Não estamos falando apenas de uma loja. Existe uma cadeia de economia circular e sustentável por trás dela, que envolve coleta, triagem, logística, e também oportunidades de novos negócios para quem deseja empreender, atuando no mercado de roupas de segunda mão”, afirma Ivanir.