Os norte-americanos são chamados a votar esta terça-feira, 3 de novembro, nas eleições intercalares que vão determinar a composição da Câmara dos Repres...

As sondagens apontam para uma vantagem dos democratas na corrida à Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo controlo do Senado permanece mais incerta. Uma eventual vitória democrata numa ou nas duas câmaras poderá limitar a capacidade de Donald Trump para aprovar legislação e avançar com algumas das principais medidas da sua administração.

Atualmente, os republicanos controlam as duas câmaras do Congresso, além da Casa Branca. Uma mudança de maioria poderá pôr fim a este domínio político e obrigar o Presidente norte-americano a negociar com os adversários para fazer avançar a sua agenda.

Os últimos estudos de opinião, contudo, revelam uma tendência favorável ao Partido Democrata na preferência dos eleitores para as eleições legislativas.

Uma média de sondagens analisada pela NBC aponta para 52% de preferência pelos democratas, contra 43% pelos republicanos, uma diferença de nove pontos percentuais.

Também uma sondagem Reuters/Ipsos, divulgada a 26 de outubro, coloca os democratas em vantagem: 47% dos eleitores registados afirmaram que votariam num candidato democrata, contra 36% que escolheriam um republicano.

Por sua vez, um inquérito da CNN, realizado em setembro, apontava para uma diferença de oito pontos percentuais: 49% dos eleitores registados preferiam um candidato democrata, enquanto 41% optavam por um republicano.

Os resultados mostram uma tendência de vantagem democrata a nível nacional, embora não garantam uma vitória nas duas câmaras. Nos Estados Unidos, a distribuição dos lugares no Congresso depende dos resultados em cada distrito eleitoral e em cada estado, pelo que uma vantagem nacional não se traduz necessariamente numa maioria parlamentar.

A popularidade do Presidente constitui outro fator desfavorável aos republicanos. Segundo uma sondagem Reuters/Ipsos divulgada a 26 de outubro, apenas 32% dos inquiridos aprovavam o desempenho de Donald Trump.

A Câmara dos Representantes, composta por 435 membros, é uma das principais frentes de batalha eleitoral. Os republicanos partem com uma maioria reduzida, o que torna mais fácil aos democratas recuperar o controlo.

As projeções apontam para uma vantagem significativa dos democratas na disputa pelos lugares desta câmara. A recuperação da maioria permitiria ao partido assumir a presidência das comissões parlamentares e reforçar os poderes de fiscalização sobre a administração Trump.

Os democratas poderiam ainda promover investigações sobre decisões presidenciais e convocar responsáveis governamentais para prestar esclarecimentos perante o Congresso.

A disputa pelo Senado apresenta maiores dificuldades para os democratas. Esta câmara é composta por 100 senadores, dois por cada estado, e apenas 35 lugares estão em disputa nestas eleições.

Os democratas precisam de conquistar quatro lugares líquidos para alcançar uma maioria, mantendo simultaneamente os mandatos que já possuem.

Entre os estados considerados decisivos encontram-se o Alasca, o Iowa, o Maine, o Michigan, a Carolina do Norte, o Ohio e o Texas.

Apesar de algumas sondagens apontarem para disputas renhidas nestes territórios, os republicanos partem com vantagens em vários estados tradicionalmente favoráveis ao partido.

A situação económica tem sido um dos principais temas da campanha eleitoral. A inflação, o aumento dos custos de energia e as dificuldades sentidas por muitas famílias norte-americanas têm contribuído para o descontentamento com a administração Trump.

A política comercial do Presidente, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias, também tem sido alvo de críticas, devido aos potenciais efeitos sobre os preços dos produtos e o poder de compra dos consumidores.

A política externa constitui outro elemento de contestação, nomeadamente devido à intervenção militar norte-americana no Irão e às consequências económicas do conflito.

Os democratas têm procurado transformar estas preocupações num argumento eleitoral contra os republicanos, associando o aumento do custo de vida às decisões da Casa Branca.

Donald Trump, por seu lado, tem procurado mobilizar os seus apoiantes, apresentando estas eleições como uma escolha entre a continuidade da sua agenda política e a alternativa defendida pelos democratas.