Washington classifica operação como defensiva e afirma que pretende impedir ataques contra meios militares norte-americanos. Explosões foram registadas na il...
Os Estados Unidos realizaram novos ataques militares contra a ilha iraniana de Qeshm, no estreito de Ormuz, na segunda-feira, 2 de novembro, poucas horas antes das eleições intercalares norte-americanas. A operação, confirmada por responsáveis norte-americanos citados pela Reuters, foi apresentada como uma ação defensiva e não como o início de uma nova campanha militar de grande escala contra o Irão.
Segundo fontes da Administração norte-americana, citadas pela comunicação social dos Estados Unidos, os ataques tiveram como alvo posições iranianas associadas à utilização de mísseis terra-ar contra meios militares norte-americanos. Uma das justificações apresentadas foi a necessidade de proteger os ativos dos Estados Unidos na região e impedir novas ameaças à navegação comercial no Golfo Pérsico e no estreito de Ormuz.
A agência noticiosa estatal iraniana IRNA relatou várias explosões na ilha de Qeshm durante a noite de segunda-feira. A imprensa iraniana indicou igualmente que as forças do país detetaram e intercetaram dois drones. Até ao momento, não foram divulgados dados oficiais sobre eventuais vítimas ou a dimensão dos danos provocados pelos ataques. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações militares norte-americanas no Médio Oriente, não apresentou uma confirmação pública detalhada da operação.
Qeshm é a maior ilha do Irão e ocupa uma posição estratégica junto à entrada do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. O território alberga infraestruturas militares, incluindo uma base naval e instalações subterrâneas associadas a mísseis. A sua localização torna-a particularmente importante para a capacidade iraniana de controlar e ameaçar o tráfego marítimo naquela passagem internacional.
Os ataques surgem num momento politicamente sensível para Donald Trump, que enfrenta as eleições intercalares esta terça-feira, nas quais os eleitores norte-americanos escolhem os representantes do Congresso. O Presidente procurou desvalorizar a possibilidade de uma escalada militar, afirmando que os Estados Unidos já tinham vencido a guerra contra o Irão e que os combates não decorriam à mesma escala de meses anteriores. Questionado sobre a possibilidade de ordenar novos ataques depois das eleições, respondeu negativamente.
Ao mesmo tempo, Trump e o vice-presidente JD Vance manifestaram otimismo quanto à possibilidade de alcançar um entendimento diplomático com Teerão. Vance afirmou que as negociações tinham registado progressos e que a Administração norte-americana estava satisfeita com as perspetivas de um acordo. Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghai, garantiu que os contactos através de mediadores continuariam, com especial participação do Qatar e do Paquistão.
A operação militar acontece também numa altura em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, estará a pressionar Washington para considerar uma nova vaga de ataques contra o Irão depois das eleições norte-americanas. Segundo informações divulgadas pela Associated Press, responsáveis regionais e fontes próximas das conversações confirmaram a existência dessa pressão. Entretanto, a China e a Rússia manifestaram oposição à retoma das operações militares. A situação mantém-se marcada por uma combinação de ataques limitados, negociações diplomáticas e tensões em torno do controlo do estreito de Ormuz.


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