Uma empresária que assinou contratos de R$ 185 milhões com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025, por meio da distribuidora de medicamentos Star Pharma, mantinha relação direta e integrava a cúpula de empresas que são alvo de investigação sobre a inserção do crime organizado no setor de combustíveis. Leia mais (06/23/2026 - 04h00)
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José Marques Mateus Vargas
Uma empresária que assinou contratos de R$ 185 milhões com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025, por meio da distribuidora de medicamentos Star Pharma, mantinha relação direta e integrava a cúpula de empresas que são alvo de investigação sobre a inserção do crime organizado no setor de combustíveis.
O Ministério Público de São Paulo afirma, em documento obtido pela Folha, que Andrea Cristina Alves Borges era "laranja" à frente de empresas do grupo liderado por Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Mourad, o Primo.
Andrea exerceu "funções de gerência" em uma rede de postos, segundo a investigação.
A Promotoria ainda localizou uma mensagem em que ela narra o plano de concentrar as transações de 56 empresas do grupo na conta de um único posto.
O movimento se deu após a primeira fase da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, e serviu para evitar a "ruptura do fluxo de caixa" e ocultar as transações da rede de postos, diz ainda a Promotoria. A investigação mira ainda negócios do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal.
A reportagem tenta contato desde março com Andrea por ligações, além de mensagens enviadas a dois telefones e por email, mas não recebeu respostas.
Em nota, a Star Pharma disse que Andrea integrou o quadro societário da empresa até novembro e que não conhece as atividades praticadas por ela fora da empresa. Também afirmou que repudia tentativas de vincular a Star Pharma a condutas "criminais, antiéticas e imorais".
O documento que chama Andrea de "laranja" baseou a operação Fluxo Oculto, feita no fim de maio de 2026 como desdobramento da Carbono Oculto. O relatório não cita a Star Pharma nem atribui irregularidades à empresa e, até o momento, as ações policiais também não tiveram como foco empresas com contratos do SUS.
Com sede em Barueri (SP), a Star Pharma representa empresas estrangeiras em contratos com o SUS. Desde 2024, soma cerca de R$ 220 milhões em negócios com o Ministério da Saúde, especialmente para a venda de insulina.
A maior parte dos contratos foi assinada por Andrea em nome da empresa.
Em 27 de maio, um representante da Star Pharma, chamado Victor Duarte, acompanhou a chinesa Nanjing Pharmacare em reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para tratar da venda de vacinas contra varicela e herpes-zóster.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a reunião foi solicitada pela Nanjing e não teve desdobramentos.
Como a Folha revelou, além de ter sido dona da Star Pharma, Andrea teve procurações para representar ao menos cinco empresas de diferentes ramos —formuladora e distribuidora de combustível, uma investidora e lojas de conveniência— que pertenciam a parentes ou a supostos laranjas do Primo.
Andrea ainda assumiu a sociedade de um motel e de uma administradora que foram transferidas a ela por uma irmã de Mourad.




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