Professora e mentora Fernanda Barboza analisa proposta que discute qualificação profissional, formação acadêmica e segurança do paciente
A possibilidade de criação de um exame de proficiência para enfermeiros voltou a movimentar o debate entre profissionais, instituições de ensino e entidades ligadas à saúde.
Prevista em um Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional, a proposta traz discussões sobre a qualidade da formação superior, os critérios para ingresso no mercado de trabalho e os impactos que uma avaliação nacional poderia trazer para a assistência prestada à população.
A Enfermagem é uma das maiores categorias da área da saúde no Brasil e está presente em praticamente todos os níveis de atendimento, desde as unidades básicas até hospitais de alta complexidade.
Nos últimos anos, o crescimento da oferta de cursos de graduação ampliou o acesso à profissão, mas também aumentou os questionamentos sobre a qualidade da formação oferecida por parte das instituições de ensino.
É nesse cenário que o exame de proficiência passa a ser debatido.
Enquanto alguns profissionais enxergam a avaliação como uma forma de fortalecer a categoria e garantir que os recém-formados possuam os conhecimentos essenciais para atuar, outros defendem que o principal desafio está na fiscalização dos cursos de graduação e na melhoria da formação acadêmica.
Para a enfermeira, professora e mentora Fernanda Barboza, a discussão é importante porque coloca em evidência a necessidade de fortalecer a preparação dos futuros profissionais.
"Não basta ampliar o número de profissionais. É essencial garantir que eles saiam da graduação preparados para oferecer uma assistência segura, humanizada e baseada em evidências. A formação é o primeiro passo de uma carreira que exige aprendizado permanente", afirma.
Entre os argumentos favoráveis ao projeto está a possibilidade de verificar se o enfermeiro concluiu a graduação com conhecimentos considerados fundamentais para exercer a profissão com segurança.
A atuação da categoria exige domínio técnico, raciocínio clínico e tomada de decisão em situações que podem impactar diretamente a vida dos pacientes.
Na avaliação de Fernanda Barboza, discutir formas de avaliar competências mínimas não deve ser encarado como uma punição aos profissionais, mas como uma estratégia para estimular a qualidade da assistência e valorizar ainda mais a profissão.
"Estamos falando de profissionais que lidam diariamente com vidas. Avaliar conhecimentos mínimos antes do exercício profissional pode contribuir para fortalecer a confiança na categoria e estimular uma formação cada vez mais qualificada", destaca.
Ao mesmo tempo, ela ressalta que um eventual exame não resolveria, sozinho, os desafios enfrentados pela Enfermagem.
Questões como a qualidade dos estágios, a estrutura das instituições de ensino, a qualificação dos docentes e uma fiscalização mais rigorosa dos cursos também precisam fazer parte desse debate.
Outro ponto considerado essencial é a educação continuada.
Mesmo após a graduação, enfermeiros precisam acompanhar novos protocolos, avanços tecnológicos e mudanças constantes nas práticas assistenciais.
Segundo Fernanda Barboza, cresce a procura por especializações, programas de residência e concursos públicos como forma de ampliar conhecimentos e desenvolver novas competências ao longo da carreira.
Com a proposta ainda em tramitação, o debate deve continuar nos próximos meses.
Independentemente do modelo que venha a ser adotado, especialistas defendem que qualquer mudança relacionada ao exercício da Enfermagem precisa caminhar ao lado de políticas que fortaleçam a qualidade da formação acadêmica e valorizem os profissionais.
O consenso é que investir em ensino de excelência e atualização permanente continua sendo um dos caminhos mais importantes para garantir uma assistência cada vez mais segura e qualificada à população.




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