Médico clínico defende que mudança de estilo de vida exige mais do que informação e leva discussão para o III Congresso Pernambucano de Clínica Médica (CPCM) Todo mundo sabe que exercício físico faz bem. Ainda assim, transformar essa recomendação em uma prática regular continua sendo um dos grandes desafios da promoção da saúde. Para o médico clínico Gustavo Miranda, presidente do III CPCM, o problema é que informação, sozinha, não produz mudança de comportamento. É preciso entender a rotina, as dificuldades e o contexto de cada paciente para construir estratégias que sejam possíveis de sustentar no dia a dia.

“Conhecimento é apenas uma parte do processo. Mudança de hábito depende de motivação, ambiente, metas realistas, acompanhamento e, principalmente, continuidade”, afirma Gustavo Miranda, que participa da programação com a palestra “Como convencer o paciente a realmente mudar o estilo de vida?”. A discussão faz parte da mesa “Prevenindo para viver mais”, que também aborda rastreamentos para câncer e avaliação de risco cardiovascular. O congresso acontece de 10 a 13 de setembro, no RioMar Trade Center, no Recife, reunindo especialistas de diferentes áreas para discutir avanços, desafios e transformações da prática médica. (CPCM) A atividade física aparece nesse contexto como uma das estratégias de prevenção e promoção da saúde, mas a proposta do debate vai além de simplesmente recomendar que o paciente “se exercite”. A questão é entender como transformar uma orientação conhecida em comportamento incorporado à rotina e qual deve ser o papel do médico nesse processo. “Grande parte das doenças que mais impactam a população está relacionada a fatores modificáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, tabagismo e sono ruim. O clínico não deve atuar apenas quando a doença aparece; precisa identificar riscos precocemente e ajudar o paciente a construir estratégias realistas para reduzi-los”, destaca Gustavo. A discussão sobre estilo de vida integra uma programação que aborda diferentes desafios da medicina contemporânea. Entre os temas, estão inteligência artificial e raciocínio clínico, o papel do exame físico diante do avanço da tecnologia, medicina baseada em valor, reinternações evitáveis, saúde mental do médico, além de atualizações em cardiologia, endocrinologia, nefrologia, geriatria, oncologia, infectologia e outras áreas.