Para 71%, produções coreanas superam outros gêneros

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O fã de k-drama consome com frequência, é fiel e se concentra nas regiões Norte e Nordeste, mostram dados internos e uma pesquisa da Netflix sobre o consumo das séries da Coreia do Sul no Brasil.

Essas produções viraram um fenômeno, sobretudo após a pandemia, e deixaram de ser um produto de nicho para cair no gosto do público geral. No estudo encomendado pelo serviço de streaming, 60% dos entrevistados afirmaram já ter visto um k-drama ao menos uma vez. Um quarto dos consultados assiste às séries diariamente ou ao menos uma vez por semana.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (8), foi feito junto ao instituto Toluna, em agosto deste ano, com 2.087 pessoas. Os participantes receberam um formulário online para responder perguntas sobre os serviços de streaming e os formatos consumidos.

Primeiro, o instituto ouviu o público geral. Em seguida, fez um recorte entre quem consome o chamado k-content, que respondeu questões específicas. Entre eles, 30% assistem a k-dramas diariamente. A taxa é superior a gêneros como reality shows e documentários, segundo o levantamento.

"O ritmo do fã é frenético", resume Jana Borges, diretora de marketing da Netflix no Brasil. Para acompanhar esse consumo rápido, "sempre há novas produções coreanas chegando ao serviço, com legendas e dublagem em português", afirma Borges.

As regiões Norte e Nordeste são as campeãs de consumo das séries sul-coreanas e ocupam todo o top dez por estado, segundo dados internos da Netflix. Alagoas, Maranhão e Pará lideram o ranking de reproduções neste ano —a ordem exata não foi informada.

O ranking considera a visualização proporcional à audiência de cada lugar, não o volume absoluto de horas vistas. O recorte regional mostra que 90% dos espectadores nordestinos consideram os k-dramas mais viciantes que outros formatos.

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A pesquisa também tenta entender como essas produções causam tanto interesse. Para 71% dos fãs, os k-dramas são melhores do que outros gêneros. Já 87% dizem que eles são mais viciantes, divertidos e geram mais leveza e alegria do que outras séries.

As produções sul-coreanas trazem elementos que dialogam com o que os brasileiros gostam nas novelas e melodramas, afirma Borges. É um público apaixonado por histórias que falam sobre amor, família, sonhos e pessoas comuns, avalia a executiva.

"Os k-dramas se conectam com a gente nesse lugar. São histórias universais, com emoções familiares, mas ao mesmo tempo aspiracionais. A culinária, as paisagens e a cultura trazem um frescor novo e encantador", diz a representante. "É um fenômeno nacional."

O estudo chega no ano em que a Netflix completa uma década desde sua estreia na Coreia do Sul. De lá para cá, o serviço passou a produzir conteúdos originais e a expandir títulos sul-coreanos para outros mercados.

Fenômenos globais como "Round 6" ajudaram a fomentar o interesse que vinha de lá e a guiar investimentos da Netflix. Em 2023, a empresa anunciou que investiria US$ 2,5 bilhões, cerca de R$ 12,8 bilhões, em k-content ao longo dos três anos seguintes.