Genes ligados à fome, saciedade e recompensa cerebral explicam por que algumas pessoas têm mais dificuldade de resistir à comida

As festas juninas são comemorações tradicionais que reúnem danças, vestimentas e comidas que enchem as mesas dos brasileiros  com pamonha, bolo de milho, canjica, pé-de-moleque e quentão.

Mas, o que muitas pessoas não sabem é que existe uma explicação genética por trás de alguns conseguirem parar na primeira fatia de bolo e outros sentirem dificuldade em resistir a mais uma porção.

Um estudo publicado em 2025 no Journal of Human Growth and Development mostrou a relação da genética e da compulsão alimentar em três mil adultos da região metropolitana de São Paulo. 

Ao todo, 4,7% dos participantes apresentaram transtorno da compulsão alimentar ao longo da vida, enquanto 9% relataram somente alguns episódios recorrentes de compulsão alimentar.

Segundo os autores, a condição foi mais comum entre mulheres e adultos mais jovens e esteve relacionada a maiores índices de hipertensão, dores crônicas, artrite, doenças pulmonares e distúrbios gastrointestinais. 

Já uma pesquisa científica publicada em 2024 na revista Nutrients revela que existem genes específicos que são responsáveis por controlar a fome, a saciedade e o sistema de recompensa do cérebro. Por isso, certas pessoas sentem mais apetite ou buscam a comida como conforto emocional.

O ambiente também exerce influência no comportamento alimentar.

Um estudo clínico conduzido pelo National Institutes of Health (NIH), principal agência do governo dos Estados Unidos para pesquisas  de saúde, apontou que indivíduos expostos a uma dieta composta, em sua maioria, por alimentos ultraprocessados consumiram, em média, 508 calorias a mais por dia do que aqueles que tiveram uma dieta baseada em alimentos pouco processados. 

Duas semanas depois, os participantes apresentaram ganho médio de 0,9 quilogramas. 

Além disso, pesquisas em neurociência destacam que alimentos ricos em açúcar e gordura ativam circuitos cerebrais que  estimulam a liberação de dopamina. O neurotransmissor, então, reconhece como uma recompensa, por estar associado às sensações de prazer e motivação. 

Isso sugere que as características vão além dos fatores emocionais, podendo influenciar a forma como a fome, a saciedade e os estímulos alimentares do dia a dia são percebidos, principalmente em situações com uma maior oferta de alimentos.

*Estagiária sob supervisão