Informação foi confirmada por fontes próximas, segundo a agência de notícias Reuters

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma fonte do governo americano afirmaram, à reportagem e à agência Reuters, que o parlamentar foi para os Estados Unidos nesta terça-feira (27). Derrotado na disputa pela Presidência no domingo (25), Flávio foi intimado a entregar seus passaportes comum e diplomático e proibido de deixar o país. O senador está incomunicável, segundo interlocutores do parlamentar.

Parlamentares aliados de Flávio disseram à reportagem que o senador está em viagem rumo aos Estados Unidos, onde vive seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, desde fevereiro de 2025. Segundo a agência Reuters, uma fonte do governo americano confirmou que o senador está viajando de avião para o país, acompanhado da esposa e das duas filhas.

PL faz reunião de emergência após informações de possível fuga de Flávio do país

Procurado pelo Valor, Flávio não atendeu as ligações. A reportagem ainda não recebeu informações sobre quando Flávio deve pousar nos Estados Unidos nem em qual cidade americana e como ocorreu a saída dele do Brasil. Segundo a Reuters, a Embaixada dos EUA no Brasil ainda não respondeu a um pedido de comentário e o advogado de Bolsonaro também se recusou a comentar.

Em decisão tornada pública na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse seus passaportes, comuns e diplomáticos, até hoje, e o proibiu de deixar o país. Flávio, no entanto, não entregou o passaporte dentro do prazo determinado por Moraes. A Polícia Federal cancelou o passaporte comum. O caso está sob sigilo na Corte e teria relação com inquérito sobre lavagem de dinheiro (leia mais abaixo).

Em vídeo divulgado nas redes sociais no fim da tarde de segunda-feira, o senador disse que cumpriria a decisão de Moraes e negou que tivesse intenção de deixar o país. Assim que terminar seu mandato, em fevereiro de 2027, Flávio perderá o foro privilegiado para investigações.

No vídeo em que negava ter intenção de deixar o país, Flávio atribuiu a decisão de Moraes a um comentário de Eduardo Bolsonaro, feito dias antes em suas redes sociais, em que dizia que o irmão deveria sair do Brasil se, como ocorreu no domingo, perdesse a eleição. Eduardo deixou o país ano passado sob a alegação de que era alvo de perseguição jurídica.

O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, disse em transmissão ao vivo nesta tarde que a "perseguição judicial" contra Flávio já começou e pediu mobilização aos apoiadores nas redes sociais. Figueiredo, no entanto, afirmou que não daria mais detalhes para não expor o senador.

O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS), em vídeo publicado em suas redes sociais, confirmou a saída do senador do Brasil: "Bem amigos, está confirmado, Flávio Bolsonaro, não se sabe ainda se pela Venezuela ou pela Argentina, pegou um voo e está indo se exilar nos Estados Unidos".

Pela manhã, o site Infobae, da Argentina, afirmou que Flávio havia entrado nesta madrugada em solo argentino, de onde partiria de avião para os Estados Unidos. A Direção Nacional de Migrações do governo da Argentina disse não haver registros de entrada do senador.

Flávio é alvo de dois inquéritos

O senador é investigado por suspeitas de envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em dois inquéritos criminais. Um deles apura o financiamento para o filme "Dark Horse", para o qual Flávio pediu R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador diz ter se tratado de um patrocínio privado, mas não apresentou contas do uso do dinheiro.

O segundo inquérito, revelado em outubro, apura a suspeita de participação do parlamentar em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Na decisão em que determinou a entrega dos passaportes, Alexandre de Moraes também proibiu de se comunicar com Willer Tomaz.

A apuração envolvendo o advogado foi iniciada na justiça do Rio Grande do Sul para tratar de suspeitas de evasão de divisas e apostas virtuais para lavar dinheiro. O caso subiu ao Supremo após menções a Flávio.

Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas de Tomaz. Também foi determinada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado das empresas Alcazar Brasil LTDA, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings, e Catedral — Holdings SGPS.