Especialista alerta que temperaturas baixas podem agravar fatores de risco como pressão alta, desidratação e formação de coágulos
A chegada do inverno e das frentes frias que atingem diversas regiões do país traz preocupações que vão além dos tradicionais casos de gripe e doenças respiratórias. Estudos apontam que os períodos de baixas temperaturas também estão associados ao aumento de ocorrências de problemas cardiovasculares, incluindo o Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil.
Embora o frio não seja uma causa direta do AVC, especialistas explicam que as mudanças fisiológicas provocadas pelas temperaturas mais baixas podem favorecer condições que elevam o risco da doença. A combinação entre contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial, alterações na coagulação do sangue e mudanças de hábitos durante o inverno cria um cenário que merece atenção, especialmente entre pessoas idosas e pacientes que já possuem fatores de risco conhecidos.
Segundo Felipe Mendes, médico neurocirurgião mineiro e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, algumas condições associadas ao AVC podem se tornar mais frequentes ou mais difíceis de controlar durante o período frio.
O mecanismo por trás desse aumento do risco está relacionado à forma como o organismo reage às baixas temperaturas. Para conservar calor, os vasos sanguíneos tendem a se contrair, processo conhecido como vasoconstrição. Essa resposta natural pode elevar a pressão arterial e aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
Além disso, durante o inverno muitas pessoas reduzem a prática de exercícios físicos, permanecem mais tempo em ambientes fechados e costumam consumir menos água ao longo do dia. Esses comportamentos podem contribuir para o agravamento de fatores que já estão diretamente ligados ao AVC.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Acidente Vascular Cerebral continua sendo uma das doenças que mais causam mortes e sequelas permanentes no país. A condição ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma área do cérebro é interrompido ou reduzido, provocando danos às células cerebrais. Quanto mais rápido o atendimento médico é realizado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.
Por isso, a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a incidência da doença, independentemente da estação do ano.
Os especialistas também chamam atenção para a população idosa, que costuma sofrer mais com os extremos climáticos. O envelhecimento naturalmente aumenta a vulnerabilidade do organismo às mudanças de temperatura, além de estar frequentemente associado à presença de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos.
De acordo com Felipe Mendes, pessoas acima dos 75 anos merecem atenção especial durante os períodos de frio intenso.
Familiares e cuidadores devem observar não apenas a proteção contra o frio, mas também garantir que os idosos mantenham uma boa hidratação, sigam corretamente os tratamentos médicos prescritos e realizem acompanhamento regular das condições de saúde.
Reconhecer rapidamente os sintomas de um AVC pode fazer toda a diferença no prognóstico do paciente. Entre os principais sinais de alerta estão a perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras, desvio da boca, perda repentina da visão, tontura intensa e alterações no equilíbrio.
Diante de qualquer suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico de emergência imediatamente. Cada minuto é importante para reduzir os danos cerebrais e aumentar as chances de recuperação.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, especialistas reforçam que a atenção à saúde cardiovascular deve fazer parte da rotina da população. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e não ignorar sintomas suspeitos são medidas fundamentais para atravessar o inverno com mais segurança.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário