A inteligência artificial deixou de ser promessa e entrou na rotina das empresas brasileiras em ritmo acelerado. Segundo a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgada em junho de 2026 pelo Cetic.br, a adoção…

A inteligência artificial deixou de ser promessa e entrou na rotina das empresas brasileiras em ritmo acelerado. Segundo a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgada em junho de 2026 pelo Cetic.br, a adoção de IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025, rompendo a estabilidade registrada desde o início da medição. O setor de informação e comunicação — justamente o ambiente em que atuam os profissionais de conteúdo, tráfego e comunicação digital — lidera o movimento, com 49% de adoção, e nas grandes empresas o índice chega a 50%.

Para Nathália Carvalho, estrategista em marketing médico e fundadora da agência adm.me, esse avanço muda o valor de cada função dentro do marketing. "Quando a ferramenta gera post, roteiro e anúncio em minutos, a execução deixa de ser diferencial. O que passa a valer é o que a máquina não entrega: estratégia, integração das ações e leitura do nicho", afirma. Na análise dela, o profissional que construiu a carreira sobre uma única tarefa — o cartão de visita de boa parte dos social media e gestores de tráfego — é o mais pressionado por essa transição.

O movimento não se restringe às empresas. A pesquisa TIC Domicílios 2025, do mesmo Cetic.br, mostra que a IA generativa já faz parte da rotina de 32% dos usuários de internet no Brasil, cerca de 50 milhões de pessoas — o que inclui os próprios pacientes. E, na outra ponta, a 12ª edição da pesquisa TIC Saúde registra a tecnologia em 18% dos estabelecimentos de saúde, proporção que sobe para 31% nos hospitais com mais de 50 leitos; entre os que já a utilizam, 76% recorrem a modelos generativos. O ambiente em que o marketing médico opera, portanto, se transformou dos dois lados do balcão: clínicas e pacientes já convivem com a tecnologia.

O mesmo levantamento da saúde, porém, aponta um gargalo: entre os estabelecimentos que ainda não adotaram IA, a ausência de profissionais capacitados figura entre os principais entraves, e a coordenação da pesquisa destaca que o avanço da tecnologia no setor exige qualificação para um uso seguro e responsável. É nesse ponto que, para Nathália Carvalho, a discussão sai da ferramenta e chega à carreira. "A pergunta que o social media e o gestor de tráfego me fazem é se a IA vai substituí-los. A resposta depende do lugar que eles ocupam: quem só executa tarefa compete com a máquina; quem conduz o projeto inteiro passa a usar a máquina a favor", diz.

É sobre essa base que Nathália Carvalho estrutura o que chama de projeto 360 no marketing médico: a condução integrada das etapas, do posicionamento ao relacionamento com o paciente, em vez de ações soltas. "Não dá para pensar em tráfego sem posicionamento, nem em conteúdo sem uma estratégia que conduza o paciente da descoberta até a decisão. É a soma que gera resultado — e é isso que nenhuma ferramenta faz sozinha", explica. Esse encadeamento é a base da Formação MED10K, voltada a profissionais de marketing que atuam com médicos e clínicas, e do sistema de implementação que a acompanha, criado para orientar a execução passo a passo — incluindo o uso da própria IA como apoio, e não como substituta, do trabalho estratégico.

O cenário desenhado pelas pesquisas do Cetic.br sugere que a tecnologia seguirá avançando nas empresas, na saúde e no cotidiano dos pacientes, e que a qualificação será o divisor entre quem acompanha o movimento e quem fica para trás. Conteúdos sobre estratégia, normas e carreira no marketing médico estão reunidos no site de Nathália Carvalho e nos canais dela no Instagram e no YouTube. Para quem vive de marketing na saúde, a era da IA tende a recompensar menos a velocidade de execução e mais a capacidade de conectar as partes, exatamente o que a máquina ainda não aprendeu a fazer.