Mercado repercute avanço da commodity, juros americanos e Relatório de Política Monetária do Banco Central

Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa operava em queda nesta quinta-feira, 24, em uma sessão marcada pelo avanço do petróleo, pela valorização do dólar e pela cautela dos investidores com o cenário internacional. Por volta das 10h40, o principal índice da B3 recuava 0,20%, aos 185 931 pontos.

No exterior, o petróleo voltou a ganhar força em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã e às incertezas sobre o fornecimento da commodity. O Brent avançava mais de 2% nesta manhã, negociado próximo dos 105 dólares por barril. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também permaneciam elevados, com o Treasury de dez anos acima de 5,1%.

O dólar também avançava frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior. Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o movimento reflete uma combinação de fatores externos e uma recomposição de posições depois da queda recente da divisa americana. “A alta do dólar nesta manhã reflete principalmente uma combinação de fatores externos e uma recomposição de posições após a queda recente da moeda americana”, afirma Murad. Segundo ele, a pressão do petróleo, as incertezas geopolíticas e o tom mais cauteloso de dirigentes do Federal Reserve ajudam a aumentar a procura pela moeda americana.

No cenário doméstico, os investidores repercutem o Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, após o corte da Selic para 13,75% na semana passada. O BC manteve em 5,2% a projeção para a inflação de 2026 e apontou uma probabilidade de 90% de o IPCA ultrapassar o teto da meta neste ano. A projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi reduzida de 2% para 1,8%.

Na avaliação de Murad, a possibilidade de novos cortes de juros continua no radar, mas o ritmo dependerá da trajetória da inflação e da percepção sobre as contas públicas. “O Relatório de Política Monetária reforça que a autoridade permanece dependente dos dados e ainda monitora riscos como expectativas de inflação, câmbio, petróleo e ambiente fiscal”, afirma.

O Ibovespa também vem de uma sessão negativa. Na quarta-feira, 23, o índice recuou 0,86%, aos 185 814 pontos, interrompendo uma sequência de duas altas. Apesar da pressão externa, o avanço do petróleo pode dar algum suporte às ações de companhias produtoras da commodity, enquanto juros mais baixos no Brasil tendem a beneficiar empresas mais dependentes de crédito e consumo.

Para os próximos pregões, Murad aponta dólar, petróleo e política monetária como os principais fatores a serem acompanhados. “No Ibovespa, a manutenção do fluxo estrangeiro e uma queda consistente dos juros futuros serão fundamentais para sustentar uma tentativa de retomada das máximas recentes”, diz.