Bolsa sobe mais de 1,5% enquanto dólar recua a R$ 5,12; pesquisa eleitoral, queda dos juros futuros e Brent perto de US$ 100 movimentam os ativos brasileiros

Priorizar nos meus resultados Google O mercado brasileiro voltou do feriado de 7 de Setembro em alta nesta terça-feira, 8. Por volta das 11h, o Ibovespa avançava 1,56%, aos 188 028 pontos, enquanto o dólar recuava e era negociado na casa dos 5,12 reais.

O movimento ocorre depois de uma semana de forte valorização dos ativos brasileiros. Na sexta-feira, antes do feriado, o Ibovespa encerrou aos 185 147 pontos e acumulou ganho de 5,4% na semana, o maior avanço semanal desde janeiro. O dólar, por sua vez, terminou o período com queda acumulada de 1,25%.

Nesta terça, uma combinação de fatores ajuda a explicar o avanço da Bolsa. No ambiente doméstico, investidores repercutem uma nova rodada de pesquisas eleitorais e a queda dos juros futuros. No exterior, entram na conta o enfraquecimento do dólar e, principalmente, a disparada do petróleo, que voltou a se aproximar da marca de 100 dólares por barril. “O Ibovespa avançava 1,58%, aos 188.072 pontos, enquanto o dólar recuava 0,23%, para R$ 5,12. O mercado brasileiro volta do feriado incorporando, de uma só vez, mudanças no cenário eleitoral, a alta do petróleo e o enfraquecimento internacional da moeda americana”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

Uma das principais novidades absorvidas pelo mercado nesta terça é a pesquisa BTG/Nexus. O levantamento mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 46% e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% em uma eventual disputa de segundo turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o cenário é de empate técnico.

Para o mercado financeiro, mais do que tentar antecipar o vencedor da eleição, as pesquisas alteram as probabilidades atribuídas pelos investidores aos diferentes cenários para a política econômica a partir de 2027. “O principal vetor doméstico é a pesquisa que mostrou empate numérico entre os candidatos mais competitivos em uma simulação de segundo turno. O resultado aumentou a percepção de uma eleição aberta e levou os investidores a revisar as probabilidades atribuídas aos diferentes cenários econômicos para 2027”, explica Murad.

Segundo o consultor, essa reprecificação está contribuindo, neste momento, para a redução do prêmio de risco fiscal e para a queda dos juros futuros, movimento que tende a beneficiar especialmente empresas mais sensíveis às taxas de juros. A reação não acontece isoladamente. Os juros futuros brasileiros já haviam encerrado a semana passada em queda, principalmente nos vencimentos mais longos. O movimento foi atribuído a sinais de desaceleração da atividade, inflação mais branda e redução do prêmio de risco eleitoral.

Outro combustível para a Bolsa nesta terça vem do petróleo. O Brent, referência internacional, operava próximo de 99 dólares por barril, após atingir 99,45 dólares na máxima da sessão. A commodity é pressionada para cima pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelos receios sobre a oferta global.

Murad destaca que, no Brasil, o avanço do petróleo produz inicialmente um efeito favorável por dois canais. “O petróleo próximo de US$ 100 reforça o movimento por dois canais. A alta do Brent, de 1,69%, para US$ 98,64, beneficia Petrobras e outras companhias do setor, que têm peso relevante no Ibovespa. No câmbio, a valorização da commodity melhora os termos de troca do Brasil e amplia a expectativa de entrada de dólares pelas exportações, favorecendo o real”, afirma.