Bolsa cai 0,18%, enquanto mercado digere inflação ao produtor americano e aumenta apostas em alta dos juros pelo Fed

Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa operava em queda de 0,18%, aos 185 231 pontos, nesta quinta-feira, 10, em um pregão marcado pela cautela no exterior. A combinação entre petróleo acima de 100 dólares, inflação ao produtor pressionada nos Estados Unidos e aumento das apostas em uma alta dos juros americanos pesa sobre os ativos de risco, enquanto o dólar ganha força diante do real.

No mercado americano, os índices futuros passaram a operar em queda após a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI). O indicador avançou 0,4% em agosto, em linha com o esperado, mas a leitura em 12 meses ficou ligeiramente acima das projeções, em 5,4%, ante expectativa de 5,3%.

Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, abaixo dos 0,3% esperados. “Mesmo com a leitura mista, as apostas em uma alta de juros já na reunião do Fed da semana que vem ganharam força: a probabilidade subiu para 72%, ante 60% na véspera”, afirma Juliana Benvenuto, coordenadora de Alocação e Inteligência da Avenue.

O mercado agora aguarda a divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor americano, nesta sexta-feira, considerado um dos últimos dados relevantes antes da decisão de política monetária do Federal Reserve nos dias 15 e 16 de setembro.

O comportamento do petróleo também está no centro das atenções. O Brent permanece próximo das máximas recentes depois de encerrar a quarta-feira acima de 101 dólares pela primeira vez desde maio, acumulando sete sessões consecutivas de valorização. A escalada ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Segundo Benvenuto, os últimos dias foram marcados por ataques americanos a petroleiros iranianos e por ações de houthis apoiados pelo Irã contra instalações de energia na Arábia Saudita, aumentando as preocupações com o fornecimento e as rotas de transporte da commodity.

Para o mercado brasileiro, petróleo mais caro produz efeitos em direções opostas. De um lado, tende a favorecer Petrobras e outras companhias ligadas à produção da commodity, que possuem peso relevante no Ibovespa. Do outro, aumenta a preocupação com inflação e juros e pressiona empresas mais dependentes de combustíveis, crédito e consumo. “O petróleo acima de US$ 105 amplia o risco inflacionário, fortalece a busca por proteção e sustenta a expectativa de juros mais elevados nas principais economias”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

No Brasil, o dólar também avançava nesta quinta. Em outro momento da sessão acompanhado por Murad, a moeda americana subia 0,38%, negociada a 5,13 dólares, enquanto o Ibovespa recuava 0,43%, aos 184.823 pontos.

O Banco Central realiza nesta quinta uma operação combinando um leilão de 1 bilhão de dólares no mercado à vista com US$ 1 bilhão em swap cambial reverso. “No Brasil, o leilão de US$ 1 bilhão à vista, combinado com US$ 1 bilhão em swap cambial reverso, busca oferecer moeda física e corrigir desequilíbrios entre os mercados à vista e futuro. A operação melhora a liquidez, mas não pretende estabelecer uma cotação nem neutraliza uma valorização global do dólar”, afirma Murad.