Presidente de associação do setor de alimentos, João Dornellas afirma que conceito usado em políticas públicas é amplo e confuso
Presidente de associação do setor de alimentos, João Dornellas afirma que conceito usado em políticas públicas é amplo e confuso
Divulgação/Abia - 26.mai.2026
de Brasília 21.jun.2026 (domingo) - 8h00 Siga o Poder360 no Google
A Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) avalia que o Brasil está avançando em políticas públicas sobre alimentos ultraprocessados sem que exista uma definição científica consolidada para a categoria.
Assista à entrevista (28min25s):
Formado em tecnologia de leite e derivados e em administração, Dornellas tem pós-graduação em gestão de negócios e MBAs pelo Ibmec e pela FespSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
Também possui especializações internacionais em liderança e gestão corporativa. Integra o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, ligado ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Segundo o especialista, a nova classificação, criada em 2009 por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), não teria sido aceita pela comunidade científica internacional de ciência e tecnologia de alimentos nem por órgãos reguladores de diversos países.
A Abia contabiliza 188 projetos de lei que mencionam o termo ultraprocessado no Congresso Nacional. Boa parte das propostas trata da alimentação escolar e prevê restrições ou proibições à venda e ao consumo desses produtos nas escolas.
Para Dornellas, a classificação reúne alimentos com composições nutricionais muito distintas e acaba incluindo desde balas e refrigerantes até fórmulas infantis, iogurtes, requeijões e pães industrializados.
Dornellas afirmou que a indústria defende políticas de educação alimentar e nutricional em vez de restrições baseadas na classificação. Segundo ele, obesidade é um problema multifatorial e não pode ser atribuída a um único grupo de alimentos.
O executivo disse ainda que eventuais restrições podem elevar custos para escolas e municípios. Segundo a entidade, a exclusão de produtos classificados como ultraprocessados da merenda escolar exigiria mudanças logísticas e poderia aumentar despesas e preços para o consumidor.
Ao defender um modelo alternativo ao que está em discussão no Congresso, o presidente da Abia afirmou que a indústria apoia diversidade alimentar, moderação no consumo de ingredientes críticos e informação ao consumidor.

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