A Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar do país afirmaram, neste sábado (20), terem fechado novamente o estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações. Segundo as autoridades iranianas, o tráfego de navios será interrompido por violações do acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e Israel. Leia mais (06/20/2026 - 09h46)

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

20.jun.2026 às 9h46 Atualizado: 20.jun.2026 às 13h35

Edição Impressa Diminuir fonte

Washington, Dubai e Zurique | Reuters

A Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar do país afirmaram, neste sábado (20), terem fechado novamente o estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações. Segundo as autoridades iranianas, o tráfego de navios será interrompido por violações do acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e Israel.

Em comunicado, a Guarda disse para embarcações evitarem o caminho marítimo sob risco de comprometerem sua segurança. Os iranianos citaram os ataques israelenses ao Líbano, que deixaram 20 mortos no sul do país, como estopim para a medida em Hormuz.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que se o acordo permanecer no papel, o fornecimento de energia do Oriente Médio vai continuar interrompido.

Apesar do anúncio de Teerã, os EUA afirmam que a passagem está aberta. Segundo o Exército americano, 55 embarcações navegaram pelo estreito neste sábado, levando 17 milhões de barris de petróleo. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou em entrevista à Fox News nesta manhã que não há evidências de que o tráfego em Hormuz tenha sido interrompido pelo Irã.

Vance viaja à Suíça neste fim de semana para se encontrar com uma delegação iraniana e dar início às negociações de 60 dias sobre o programa nuclear de Teerã.

Em meio às crescentes hostilidades, o Paquistão anunciou que uma nova rodada de conversas entre Irã e EUA acontecerá neste domingo (21), na Suíça. Programada para sexta-feira (19), ela havia sido adiada após ataques de Israel ao Líbano deixarem 47 mortos.

Ainda na sexta, israelenses e o grupo extremista Hezbollah firmaram um novo cessar-fogo, que foi violado já nas primeiras horas de sábado. Ataques aéreos israelenses ao sul do país vizinho mataram 16 pessoas.

Israel afirmou agir em reação a ataques do Hezbollah, que teria lançado foguetes contra o território do vizinho. Já o grupo apoiado pelo Irã afirma estar comprometido com a trégua, mas diz que não hesitará em confrontar qualquer tentativa israelense de controle sobre território libanês.

Em comunicado, o Hezbollah informou ter atacado tropas israelenses que avançavam em direção a Nabatieh, no sul do Líbano. Segundo um oficial militar israelense, o grupo disparou mais de 50 projéteis ao longo da noite. O Hezbollah diz não aceitar que forças israelenses tenham liberdade de movimento em território libanês.

O exército de Israel, por sua vez, afirmou estar comprometido com o acordo de cessar-fogo, mas afirma que irá continuar a reagir a quaisquer ameaças.

Segundo a agência estatal libanesa NNA, os aviões e drones israelenses atingiram localidades no sul do Líbano e no vale do Bekaa que são redutos do Hezbollah. Um dos ataques mais mortais da noite atingiu um prédio residencial em Barish, matando um casal e seus dois filhos. O exército libanês afirma, ainda, que um soldado morreu em um ataque na estrada de Kfarrumman-Nabatieh.

Uma porta-voz do exército israelense afirmou que a paz e a estabilidade poderiam ser alcançadas se o Hezbollah cessasse o que ela descreveu como atividades hostis. Ela disse que a presença israelense no Líbano tem o objetivo de desmantelar a estrutura do grupo, não de prejudicar civis.