Dra. Natália Janardi explica por que consultas periódicas e hábitos simples ajudam a evitar doenças bucais

A dor costuma ser o principal motivo que leva muitas pessoas ao consultório odontológico.

Um dente que quebra, uma sensibilidade intensa ou um desconforto persistente geralmente servem como alerta para buscar atendimento.

No entanto, especialistas defendem que a saúde bucal não deve depender desses sinais.

O Julho Laranja, campanha que passou a integrar oficialmente o calendário nacional em 2026 para conscientizar sobre a importância da prevenção em saúde bucal, especialmente na infância, também abre espaço para uma reflexão que vale para todas as idades: esperar o problema aparecer quase nunca é a melhor escolha.

Embora a campanha tenha como foco oficial incentivar a avaliação ortodôntica anual de crianças entre 6 e 12 anos, seu principal conceito é estimular uma cultura de prevenção.

Essa é uma mensagem que acompanha o paciente durante toda a vida, já que grande parte das doenças bucais pode ser identificada precocemente por meio de consultas periódicas e exames clínicos.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Natália Janardi, a prevenção permite enxergar alterações antes mesmo que elas provoquem dor ou comprometam a rotina.

"Quando o paciente mantém um acompanhamento regular, conseguimos identificar pequenos problemas antes que eles evoluam. Isso torna o tratamento mais simples, menos invasivo e contribui para preservar a saúde bucal por muito mais tempo."

Essa mudança de comportamento também ajuda a desmistificar a ideia de que ir ao dentista significa apenas tratar cáries ou realizar procedimentos estéticos.

A consulta preventiva avalia dentes, gengivas, língua, mucosas, mordida, articulação da mandíbula e outros aspectos importantes para o funcionamento da boca.

Em muitos casos, alterações discretas são percebidas apenas durante o exame clínico.

Entre os problemas que costumam evoluir de forma silenciosa estão a gengivite e a periodontite.

O sangramento durante a escovação, por exemplo, ainda é encarado por muitas pessoas como algo normal, quando, na verdade, pode ser um dos primeiros sinais de inflamação gengival.

Sem tratamento, esse quadro pode evoluir para doenças periodontais capazes de comprometer os tecidos que sustentam os dentes.

Outro hábito comum é adiar a troca da escova de dentes ou acreditar que apenas uma escovação rápida é suficiente.

A higiene bucal depende da associação entre escovação adequada, uso diário do fio dental e acompanhamento profissional. Nenhum desses cuidados substitui o outro.

A alimentação também exerce papel importante na saúde da boca.

O consumo frequente de alimentos ricos em açúcar e bebidas ácidas favorece o aparecimento de cáries e contribui para o desgaste do esmalte dentário.

Somado a isso, hábitos como fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso e negligenciar a higiene bucal aumentam o risco de diferentes doenças que afetam toda a cavidade oral.

A rotina acelerada também tem provocado outro problema cada vez mais frequente: o bruxismo.