O passageiro que decidiu usar os serviços da linha 6-laranja do metrô de São Paulo em seu primeiro dia de funcionamento encontrou um cenário incomum para uma operação de transporte convencional na cidade. Leia mais (07/03/2026 - 18h37)

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O passageiro que decidiu usar os serviços da linha 6-laranja do metrô de São Paulo em seu primeiro dia de funcionamento encontrou um cenário incomum para uma operação de transporte convencional na cidade.

Da estação Água Branca até Perdizes, na zona oeste, o trajeto dividia espaço com tapumes, materiais de construção, vigas e tubulações aparentes, fios espalhados pelo chão, escadas rolantes sem peças ou fora de operação, elevadores desligados, portas de plataforma que não fechavam completamente, goteiras e áreas ainda sem acabamento.

Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que a linha "opera normalmente, conforme o cronograma previsto" e que a abertura das estações ocorreu após a conclusão das etapas necessárias para o início da operação e o atendimento às exigências dos órgãos competentes, incluindo o Corpo de Bombeiros.

A reportagem da Folha percorreu as seis estações abertas ao público em operação assistida e encontrou funcionários limpando a sujeira deixada pelas obras enquanto cerca de 30 pessoas aguardavam a abertura dos portões na estação Água Branca.

Escadas utilizadas durante a construção permaneciam no local e parte da estrutura ainda estava aparente quando os primeiros passageiros começaram a entrar para testar a nova linha, muitos deles a caminho do trabalho, de consultas médicas e de entrevistas de emprego.

O primeiro desafio começava antes mesmo do embarque. Para fazer a integração com a linha 7-rubi, os passageiros precisavam deixar a estação ferroviária, caminhar cerca de cem metros pela avenida Santa Marina e entrar na estação da linha 6.

Embora a ligação já estivesse prevista, não ficou pronta a tempo do início da operação. Os passageiros precisam passar pela rua cerca de um minuto de caminhada para chegarem na estação Água Branca.

Logo na entrada, também faltavam placas indicando os sentidos Brasilândia e São Joaquim. Funcionários orientavam constantemente os usuários e, em alguns momentos, um deles utilizava um megafone para explicar até onde os trens estavam circulando durante a operação assistida.

As dificuldades continuavam no acesso às plataformas. Parte das escadas rolantes permanecia desligada e outras ainda não estavam completamente montadas, com peças faltando.

Na estação mais profunda do metrô de São Paulo, com 47,8 metros, algumas escadas funcionavam apenas para descida, obrigando os passageiros a subir pelas escadas fixas.

Foi nesse percurso que a aposentada Maria de Lourdes Alvarenga, 73, tropeçou enquanto subia um dos lances de escada. Ela conseguiu recuperar o equilíbrio e seguir o caminho. Apesar do susto, disse que a espera compensou.

"Vai valorizar muito a região. Esperei cerca de 15 anos por esse metrô. Chegou, que é o importante", afirmou. Ela contou que pretende se mudar para um condomínio próximo à estação Santa Marina e acredita que a nova linha facilitará sua rotina.

A avaliação foi diferente da cozinheira Valéria Cristina Luciano de Oliveira, 63, que utiliza muletas e seguia para uma sessão de fisioterapia nas proximidades da estação Sesc Pompeia.

Ela calcula que o trajeto, que antes levava cerca de uma hora, passará a ser feito em aproximadamente 15 minutos, mas acredita que a linha foi entregue antes de estar pronta.