Helen Henrique, fundadora da Hidro e Terapia, explica por que a fisioterapia preventiva ganha cada vez mais espaço
O Brasil vive uma das maiores transformações demográficas de sua história.
O avanço da expectativa de vida e o crescimento acelerado da população idosa vêm redesenhando o perfil dos serviços de saúde e criando novas demandas para profissionais de diferentes áreas.
Na fisioterapia, essa mudança já é percebida na prática clínica.
O foco deixou de estar apenas na recuperação de lesões e passou a incluir a preservação da mobilidade, da independência e da funcionalidade ao longo do envelhecimento.
Os números ajudam a explicar essa transformação.
Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que o país já soma mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população brasileira.
Em apenas 12 anos, esse grupo cresceu 56%, enquanto a população com 65 anos ou mais registrou um aumento de 57,4%, confirmando uma das mudanças demográficas mais rápidas da história recente do país.
Essa nova realidade também altera o perfil dos pacientes que chegam aos consultórios.
Se antes a maior parte da procura acontecia após um trauma, uma cirurgia ou uma lesão esportiva, hoje cresce o número de pessoas que buscam manter a capacidade de realizar atividades simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas, viajar, praticar exercícios e continuar independentes.
Para Helen Henrique, fisioterapeuta e fundadora da Hidro e Terapia, essa mudança representa uma evolução importante na forma como a própria profissão é compreendida.
"Durante muito tempo, a fisioterapia foi lembrada principalmente como um recurso para recuperar movimentos perdidos. Hoje percebemos um cenário diferente. As pessoas querem envelhecer mantendo autonomia, equilíbrio e qualidade de vida. Isso faz com que a reabilitação comece, muitas vezes, antes mesmo de existir uma limitação importante."
Essa mudança acompanha um desafio crescente da saúde pública.
As quedas estão entre as principais causas de perda de independência entre idosos.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 25% das pessoas idosas sofrem pelo menos uma queda por ano, percentual que chega a 40% entre aqueles com mais de 80 anos.
Além das fraturas, esses episódios frequentemente provocam perda de confiança, redução da mobilidade e comprometimento da qualidade de vida.
Diante desse cenário, estratégias voltadas à prevenção e ao fortalecimento funcional vêm ganhando espaço dentro da fisioterapia.
Entre elas, a fisioterapia aquática tem sido cada vez mais utilizada por permitir que pacientes realizem movimentos com menor impacto sobre as articulações, reduzindo a dor e oferecendo mais segurança durante o tratamento.
Segundo Helen, o ambiente aquático amplia as possibilidades de reabilitação justamente porque favorece o movimento em diferentes fases do tratamento.
"A água reduz a sobrecarga nas articulações e oferece sustentação ao corpo, permitindo que muitos pacientes iniciem exercícios antes do que conseguiriam em solo. Isso beneficia desde pessoas em recuperação de cirurgias até idosos, pacientes neurológicos e pessoas com dores crônicas."
Na avaliação da fisioterapeuta, essa mudança também exige uma nova forma de conduzir os tratamentos.




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