Após a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) para disputar o governo de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiram, nesta quarta-feira (24), lançar uma candidatura própria ao posto. A definição do nome …

A poucos meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um esforço concentrado, na quarta-feira (24), para destravar as negociações dos principais colégios eleitorais do país. Após meses de indefinição, Lula e o PT decidiram lançar uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais. Já em São Paulo, o pré-candidato ao governo, Fernando Haddad, disse, após encontro no Palácio da Alvorada, que caberá a ele definir quem será seu vice e quem vai disputar o Senado. O anúncio deve acontecer esta quinta-feira (25) e a escolha envolve os ex-ministros Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB).

Em Minas, após o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) desistir de ser candidato, Lula deu aval para que o PT lance candidato ao governo. A decisão ocorreu durante reunião com o presidente do partido, Edinho Silva, e a bancada federal mineira. Segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é considerado peça-chave para o projeto de reeleição do presidente.

“As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o Estado”, diz nota divulgada pela presidente estadual do PT, Leninha.

De acordo com a dirigente, Lula reforçou, na agenda, a importância estratégica de Minas Gerais para a política nacional. Isso porque o Estado é considerado decisivo nas eleições, especialmente para a Presidência da República. Desde 1950, o Estado repete tradição de que o primeiro colocado ao Palácio do Planalto em Minas foi o vencedor da eleição presidencial nacional.

A decisão por uma candidatura própria, contudo, retomou uma pressão interna para que a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) seja o nome da legenda. Marília é pré-candidata ao Senado e, nos bastidores, tem mostrado resistência a concorrer ao governo e abrir mão do Parlamento.

O cálculo que está sendo feito é que a ex-prefeita está bem posicionada para ganhar a disputa à Casa Legislativa, que é um dos objetivos de Lula para 2026. Caso ela continue ao Senado, um nome que está sendo cogitado ao governo é o da a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart.

A renúncia de Pacheco para disputar o governo mineiro abriu uma espécie de crise interna no PT. Nos bastidores, aliados petistas admitem que o presidente deu “tempo demais” para Pacheco, e que já deveria ter pensado em um “plano B” . A partir desse cenário, o PT passou a discutir opções para o Estado: lançar um nome próprio ao governo, apoiar uma eventual indicação do PSB ou construir aliança com um outro partido. O diretório estadual do PT realizou uma consulta interna junto aos filiados. O levantamento foi submetido ao diretório nacional e levado a Lula.

Embora o PSB fosse o partido de Pacheco, integrantes do PT rejeitaram a ideia de que a aliança esteja automaticamente consolidada. Paralelamente, setores do PT passaram a defender uma composição com uma terceira sigla. Marília, inclusive, havia se reunido com Edinho há cerca de um mês e defendido a ele a construção de uma aliança entre PT e PSB com o MDB em torno da candidatura de Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Com a situação de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, ainda indefinida, Lula também se reuniu na tarde de quarta com Fernando Haddad, o presidente do PSB, João Campos, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que é do PSB.

“Numa reunião com o presidente Lula e o vice-presidente Alckmin, Marina, Simone e Márcio se colocaram à disposição para concorrer a vice-governador(a) ou ao Senado, deixando a meu critério a escolha da chapa. Me sinto honrado pela confiança desses três colegas de ministério e me comprometi a formalizar o convite até amanhã [quinta]”, escreveu Haddad no X.

O principal entrave para a definição tem sido França. Ele tem demonstrado interesse em concorrer ao Senado, mas pesquisas eleitorais apontam Tebet e Marina como as primeiras colocadas para a disputa, o que, segundo interlocutores, influencia na decisão.

Hoje, o cenário mais provável é que França seja vice na chapa de Haddad. A avaliação é que, por ele ter um perfil mais ao centro, conseguiria votos onde o ex-prefeito de São Paulo ainda sofre resistências. O adversário do petista nas urnas será o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).