A criação de 72,96 mil empregos com carteira assinada no Brasil em maio, conforme mostrou o Caged divulgado nesta tarde, deu tração à expectativa de que o Banco Central continuará com o seu ciclo de cortes de juros em agosto. No mercado de opções digitais de …
A criação de 72,96 mil empregos com carteira assinada no Brasil em maio, conforme mostrou o Caged divulgado nesta tarde, deu tração à expectativa de que o Banco Central continuará com o seu ciclo de cortes de juros em agosto.
No mercado de opções digitais de Copom, a chance de que a Selic seja reduzida de 14,25% para 14,00% na reunião de agosto do Copom subiu de 61% para 70%, enquanto a probabilidade de manutenção da Selic nos níveis atuais caiu de 36% para 28%.
Para o Copom de setembro, as chances mudaram pouco: a probabilidade de Selic estável cai de 60% para 58%, e a de outro corte de 0,25 ponto percentual passa de 30% para 29,4%.
O resultado do Caged ficou bem abaixo dos 120 mil postos de trabalho indicados pela mediana das projeções colhidas pelo Valor Data. Diante da percepção de que o mercado de trabalho mostra sinais de arrefecimento, os juros futuros se firmaram em queda, refletindo as apostas de continuação do ciclo de calibração da Selic.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 exibiu queda de 14,04% no ajuste anterior para 14,00%; e a do DI de janeiro de 2028 recuou de 14,11% para 14,015%
Helcio Takeda, sócio e economista da Pezco, afirma que o dado o surpreendeu apenas um pouco, uma vez que ele esperava uma geração de pouco mais de 80 mil vagas, bem abaixo das projeções da maioria do mercado. Ainda assim, ele avalia que a composição do Caged mostra sinais mais claros de arrefecimento do emprego, com abertura fraca de vagas em setores mais sensíveis à política monetária do BC, como comércio e indústrias.
“Parece que há um desaquecimento em curso, mas não sei se forte o suficiente para deixar o BC confortável”, pondera Takeda. De qualquer forma, o quadro até aqui parece favorável a mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Copom.
“A impressão que temos, olhando para os dados já disponíveis, é a de que existe espaço para mais um corte de 0,25 ponto”, diz Takeda, que cita não só o Caged, como também o IPCA-15 de junho mais benigno e a Pnad Contínua, que, embora tenha registrado outra queda da taxa de desemprego, indicou uma desaceleração similar ao resultado do Caged na dinâmica da população ocupada em cada um dos setores da economia.
Para além de agosto, a possibilidade de continuação do ciclo de calibração da Selic dependerá do cenário externo e, principalmente, das discussões fiscais durante o período das eleições presidenciais, diz Takeda. Sem a sinalização de um ajuste dos problemas fiscais do país, é possível que as expectativas de inflação de 2027 e 2028 subam ainda mais e o real se desvalorize, dificultando novos cortes da Selic pelo BC, segundo a avaliação do economista.
“Trabalhamos com a hipótese de Selic a 13% no fim do ano, mas reconhecemos que a probabilidade desse cenário diminuiu bastante. Teria que acontecer uma inversão bastante grande, principalmente do fiscal, para viabilizar esse ambiente de Selic a 13%”, pondera o profissional.



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