Com R$ 5 bilhões sob aconselhamento, Quartavia trabalha com ativos físicos do agronegócio, do setor imobiliário e do mercado energético; entenda a estratégia

Quando se pensa em construção conservadora de patrimônio, o caminho mais tradicional é olhar para produtos financeiros, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), ações e títulos do Tesouro Direto. Mas, para a Quartavia, o mercado financeiro é o “estacionamento do dinheiro”, enquanto as oportunidades de construção de patrimônio estão na economia real.

Hoje, a casa acompanha cerca de 2,5 mil clientes e soma R$ 5 bilhões em patrimônio sob aconselhamento. A estratégia é trabalhar com ativos físicos do agronegócio, do setor imobiliário e do mercado de energia. Para 2026, a meta é terminar o ano com 3 mil clientes.

Adrian Carvalho fundou a empresa em 2022. Antes, trabalhou em um escritório de investimentos, onde teve contato com multimilionários e bilionários. No local, viu clientes construírem suas fortunas fora do mercado financeiro. “Para eles, o mercado era como o estacionamento do dinheiro, em que podiam preservar poder de compra, mas não gerar riqueza”, conta.

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Foi com essa percepção que o empresário resolveu criar a Quartavia. O foco foi em profissionais liberais, como advogados e médicos, que ganhavam bem, mas não tinham o mesmo atendimento recebido por investidores milionários, normalmente assessorados pelas áreas de Private Banking das instituições financeiras.

Carvalho considerava esses profissionais “presas fáceis” de produtos de baixa rentabilidade ou de alto risco e enxergou uma oportunidade para atender esse público. Hoje, o perfil de clientes se mantém. A Quartavia atende famílias com renda mensal média a partir de R$ 30 mil.

O modelo de atendimento da casa começa pela análise da forma como o investidor toma decisões financeiras. A avaliação da empresa é que, em alguns casos, o principal espaço para melhorar os resultados não está na troca de ativos da carteira, mas em mudanças na maneira como o cliente se relaciona com o dinheiro.

O segundo passo envolve a organização financeira, que inclui uma auditoria de gastos, ganhos e ativos do investidor, não só financeiros, mas também reais, como imóveis. Feito esse mapeamento, chega a fase de utilizar estratégias conectadas à economia real.

A Quartavia orienta clientes em diferentes frentes, como investimentos em usinas solares, leilões de imóveis, aquisição de bens para locação e até em processos de incorporação, que envolvem o planejamento, a construção e a venda de propriedades na planta. A empresa atua tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Segundo Carvalho, algumas casas do mercado financeiro já criaram veículos ligados à economia real para seus clientes, mas geralmente na forma de fundos. “Existem fundos que compram usinas solares, por exemplo, mas o preço elevado pelo qual adquirem os ativos faz com que os cotistas não consigam usufruir de todo o potencial da estratégia”, afirma.

Carvalho destaca a importância de uma análise criteriosa na escolha de ativos da economia real, já que nem todo investimento nesse segmento tem atrativos. Segundo o empresário, é preciso ir além da avaliação do ativo em si e considerar também o subnicho em que ele está inserido, assim como as condições de aquisição e pagamento.

A preferência da Quartavia, segundo Carvalho, é por estruturas cujo retorno dependa menos de fatores externos, como o nível da Selic, a taxa básica de juros brasileira. “Usamos os juros como uma ‘maré’ para entender para onde vamos remar, mas as estruturas que buscamos são feitas para performar independentemente do nível dos juros”, diz.

A empresa trabalha com um modelo de remuneração atrelado à quantidade de horas de atendimento, conhecido como time-based. Esse formato funciona de forma diferente ao fee-based (taxa fixa) e ao commission-based (comissões), tradicionalmente adotados no mercado financeiro.

No fee-based, o profissional de investimentos é pago por meio de uma taxa fixa ou de um porcentual do patrimônio do cliente. Já no commission-based, a remuneração se dá a partir do rebate dos valores recebidos pelos profissionais com a distribuição de produtos.

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Na Quartavia, por meio do modelo time-based, à medida que o investidor constrói um relacionamento com a casa, ele passa a ter acesso a estruturas mais complexas e menos escaláveis, por isso destinadas a um número mais restrito de clientes.

Essas estratégias podem envolver, por exemplo, a arbitragem de preço – adquirir uma propriedade em um mercado por um valor menor, como em um leilão, e vendê-la por um valor maior – ou a construção de ativos capazes de gerar receita e, com isso, financiar a própria aquisição, como uma usina solar.

Outra possibilidade é utilizar capital de terceiros, como recursos de inquilinos em aluguéis, para financiar a construção do patrimônio.

Em 2026, a Quartavia expandiu suas operações com o lançamento do primeiro fundo de investimento imobiliário (FII) da casa, voltado exclusivamente a clientes.

A empresa também estruturou uma área de consultoria de investimentos, na qual profissionais analisam as carteiras dos investidores em busca de segurança e preservação do patrimônio. “Não enxergamos a especulação no mercado financeiro como algo positivo para a carteira dos investidores, porque pode gerar perda permanente de capital”, afirma Carvalho.