Ex-primeira-dama volta a criticar tentativa do PL de apoiar Ciro Gomes e diz que enteado a 'maltratou'
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na quarta-feira (24/6), dois vídeos com críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nas gravações, que somam 27 minutos, Michelle responde às cobranças para se empenhar no apoio à pré-candidatura do seu enteado e disse ter recebido uma "punhalada" dele no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
Ela disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como algo "insignificante".
Em resposta aos vídeos, Flávio divulgou um texto em suas redes sociais se desculpando e afirmando que em nenhum momento ofendeu ou teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama.
"Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil", escreveu em uma postagem também na quarta.
O senador disse que é natural que, em determinados momentos, "pessoas comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes", inclusive dentro de famílias: "Divergências de estratégia não significam divergências de princípios".
A publicação de Flávio, por sua vez, provocou mais uma declaração de Michelle Bolsonaro nesta quinta-feira (25/6): "Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação quie estava sendo deturbada", escreveu a ex-primeira-dama em seu Instagram.
Ela afirmou ainda que todos vão trabalhar juntos "para derrotar o atual desgoverno" e pediu que não tirem trechos de sua fala de contexto.
"Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz", escreveu.
Em meio à crise, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que vai conversar pessoalmente com Michelle e Flávio. Por meio de nota, ele também afirmou que "divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias".
"Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido. É essa autenticidade que nos conecta com o povo brasileiro e fortalece nossa atuação política".
"O PL segue focado em retirar esse governo que está aí e devolver o Brasil aos brasileiros, e nada será capaz de nos tirar desse foco", continuou.
O desentendimento entre Michelle e Flávio tem origem nas articulações políticas para as eleições no Ceará.
No ano passado, a ex-primeira-dama criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro, contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no Estado — o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
As críticas de Michelle ocorreram em novembro, durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político bolsonarista com forte discurso conservador.
No dia seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e ela foi chamada de autoritária pelo hoje candidato ao Palácio do Planalto.
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Nos vídeos divulgados na quarta pelo Instagram, a ex-primeira-dama disse que sempre atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de "duras" e com "tom agressivo".


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