Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão Jean Carniel/Reuters O partido Missão entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira (23), contra o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), por interferê…

O partido Missão entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira (23), contra o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), por interferência americana nas eleições do Brasil. A legenda denuncia um possível impulsionamento pago na campanha do senador nas redes sociais por perfis ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para o candidato do Missão, Renan Santos, a prática configura duas irregularidades: a interferência externa no processo eleitoral e o uso de dinheiro fora da contabilidade da campanha.

"Nós ingressamos no TSE com uma ação contra o Flávio Bolsonaro por conta da interferência americana nas eleições brasileiras. Agora, através de uma novidade, perfis norte-americanos ligados ao Trump, perfis enormes ligados à direita, estão impulsionando conteúdo pago para eleitores brasileiros. Isso não é apenas interferência externa, como também é dinheiro impulsionado fora da campanha. É crime eleitoral duas vezes", disse Santos.

Na ação, o Missão afirma que as publicações "não configuram mera manifestação de opinião, pois, além de possuírem caráter eleitoreiro, promovem a realização de apostas a respeito do resultado da eleição presidencial brasileira" e que o objetivo da representação é "assegurar a soberania e a independência das eleições brasileiras contra investidas e interferências externas no pleito vigente", diz o documento.

O Valor tentou contato com assessoria de Flávio Bolsonaro, mas não houve resposta.

Outra ação de investigação judicial eleitoral foi protocolada esta semana pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, que também apontou possível uso indevido dos meios de comunicação social e abuso dos poderes político e econômico dos perfis de Flávio, Alfredo Gaspar, candidato à vice do senador, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), candidato à reeleição.

Na terça-feira (22), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, solicitou que o Facebook e a Shopee enviem informações sobre o uso de perfis associados à campanha de Flávio nas redes sociais para burlar as regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos, por meio de publicações em coautoria, as chamadas “collabs”.

O candidato do Missão lembrou que esta é a segunda representação do partido no TSE contra adversários. A primeira foi contra a campanha de Lula, após o governo anunciar um reajuste de 15,4% no Bolsa Família. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.

"Espero que a Justiça cumpra um papel sério nisso e não fuja de dar uma resposta, como o senhor André Mendonça está fazendo no tema em que eu entrei envolvendo o aumento do Bolsa Família por parte do Lula. Que a Justiça Eleitoral faça justiça e que as eleições não sejam roubadas", disse Santos.

Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes reconheceu a legalidade do decreto que reajustou o Bolsa Família. A decisão atendeu a um pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU), que também não viu ilegalidade na medida.