Após anos enfrentando um quadro de depressão grave, entre outros transtornos, Catalina pediu ao sistema de saúde colombiano assistência médica para pôr fim à própria vida.
A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, de 30 anos, passou a última década da vida convivendo com um sofrimento intenso e passando por diferentes tratamentos para tentar conviver com ele.
Ela havia sido diagnosticada com Transtorno Depressivo Maior grave e persistente, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade.
Giraldo tentou de tudo: cerca de 40 combinações diferentes de medicamentos, anos de psicoterapia, terapia eletroconvulsiva e infusões de cetamina.
Desde 2019, foi internada nove vezes por crises agudas e tentou se suicidar em várias ocasiões.
Ela se sentia exausta e sem forças para continuar.
"Sinto que é um inferno. Estou tão cansada de ter que lidar com isso o tempo todo [...] Para mim, já chega", disse Giraldo em uma reportagem do telejornal colombiano Noticias Caracol, exibida em março, que tornou o seu caso público.
Por causa de sua condição de saúde, ela fez um pedido inédito ao sistema de saúde colombiano: autorização para recorrer ao suicídio assistido por médicos, que é um mecanismo legal que permite ao paciente acessar um medicamento e acompanhamento médico para morrer de acordo com suas decisões e desejos.
Mas o pedido foi negado por falta de regulamentação desse procedimento na Colômbia.
Depois de uma longa batalha judicial, Giraldo morreu em 9 de julho, após aceitar se submeter à eutanásia.
Segundo o Noticias Caracol, ela morreu ao lado de familiares em uma clínica da capital colombiana, Bogotá.
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O suicídio assistido por médicos é uma figura jurídica que permite ao paciente ter acesso a medicamentos e ao acompanhamento de profissionais de saúde para morrer de acordo com sua própria vontade.
Diferentemente da eutanásia, em que o médico administra o medicamento que causa a morte, no suicídio assistido é o próprio paciente quem o realiza.
A Colômbia é um dos países que mais avançaram no reconhecimento do direito à morte digna e na definição de regras para que esse direito possa ser exercido.
Em 2024, 352 colombianos recorreram à eutanásia. O número cresce ano após ano.
Tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido por médicos são descriminalizados na Colômbia nos casos em que a pessoa sofre de uma doença grave e incurável que provoca sofrimento físico ou psicológico incompatível com sua concepção de uma vida digna.
Mesmo assim, Giraldo teve negado o direito de pôr fim à própria vida de forma digna, com assistência médica.
Até os últimos dias de vida, travou, ao lado de seu advogado Lucas Correa Montoya, uma batalha judicial para se tornar a primeira colombiana a obter acesso ao suicídio assistido por médicos.
Antes de morrer, também pediu à Corte Constitucional que julgasse o mérito de seu caso e "eliminasse as barreiras que ainda existem no sistema de saúde", segundo comunicado divulgado por Correa Montoya, seu advogado.




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