A popularização das placas solares nos últimos anos criou um crescente excesso de geração de energia durante o dia, aumentando o risco de um colapso na red...

A popularização das placas solares nos últimos anos criou um crescente excesso de geração de energia durante o dia, aumentando o risco de um colapso na rede nos momentos em que o consumo está baixo.

Para evitar este cenário, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está preparando um novo mecanismo que poderá cortar automaticamente a produção de miniusinas fotovoltaicas em momentos críticos.

O plano do ONS, que deve ser implementado até o final do ano, vem após a queda na demanda em datas como o Dia dos Pais e feriados ter colocado o sistema sob um risco elevado de blecautes.

O ONS já pratica diariamente paradas forçadas de parques eólicos e solares de grande porte para equilibrar o sistema – o chamado curtailment.  Mais recentemente, colocou em ação um plano emergencial de cortes de usinas de menor porte, como pequenas hidrelétricas e plantas de biomassa ligadas na rede de distribuição, que já foi acionado em junho, no feriado de Corpus Christi.

“Agora estamos terminando o desenvolvimento de um outro esquema, que seria mais uma rede de proteção. Seria um corte automático de geração. Para (ser usado) se naquele instante não cabe mais energia no sistema e tudo que poderia ter sido feito de forma manual já foi feito,” disse Alexandre Zucarato, o diretor de planejamento do ONS.

O chamado Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG) deverá a princípio atingir cerca de 3 gigawatts em capacidade de miniusinas de geração solar remota ligadas à rede, que poderão ser cortadas “em escadinha” conforme necessário para reequilibrar o sistema.

A lógica é a mesma de um mecanismo acionado pelo ONS que desliga automaticamente a luz de algumas áreas pré-selecionadas quando falta energia na rede, o Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC).

Ambas as manobras na operação da rede elétrica decorrem da necessidade de que geração e consumo estejam sempre no mesmo nível no sistema; quando isso não ocorre, a frequência cai e pode haver apagões.

A medida em preparação no ONS não precisa de nenhuma aprovação do Governo ou da Aneel.

“Se precisar, para salvar o sistema de um blecaute completo, podemos cortar de forma controlada a carga, que é o cliente final do setor elétrico. Então não tem nada de extraordinário você cortar a geração de forma automática, pontualmente, também para evitar um blecaute,” Zucarato disse após participar de um evento setorial da plataforma MegaWhat.