A expansão do número de médicos no Brasil vem redesenhando a forma como o setor de saúde se comunica com o público. A edição mais recente da Demografia Médica no Brasil, de 2025 — coordenada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria …

A expansão do número de médicos no Brasil vem redesenhando a forma como o setor de saúde se comunica com o público. A edição mais recente da Demografia Médica no Brasil, de 2025 — coordenada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina —, projetou que o país superaria a marca de 635 mil médicos até o fim daquele ano. Em uma década, o número de escolas médicas passou de 252 para 448, o que ampliou a entrada de novos profissionais e, com ela, a concorrência por visibilidade no ambiente digital.

Esse cenário atraiu profissionais de marketing para o atendimento a médicos e clínicas, mas nem sempre com o preparo que o setor exige. "Tudo mudou muito rápido nos últimos anos, e a maior parte dos profissionais de marketing ainda não acompanhou essa mudança quando o assunto é saúde", afirma Nathália Carvalho, estrategista em marketing médico e fundadora da agência adm.me. Para ela, a forma como o mercado se organizou ajuda a explicar o descompasso.

A leitura da estrategista parte de um diagnóstico sobre a própria formação desses profissionais. "O mercado ensinou o social media, o gestor de tráfego e o editor a serem muito bons em uma única ponta, e a vender esse serviço isolado. Em alguns setores isso funciona; na saúde, não", diz. Segundo ela, o profissional enxergou a oportunidade de atender médicos, mas levou para esse nicho a lógica das ações fragmentadas — um post aqui, um anúncio ali — sem uma estratégia que conecte as etapas.

Para Nathália Carvalho, é justamente aí que mora o prejuízo dos dois lados. "Quando a ação é isolada, o médico investe e não vê retorno. Ele se frustra, passa a achar que marketing não funciona e desiste — e o profissional perde um cliente que poderia durar anos", observa. Na leitura dela, o resultado é um mercado em que falta confiança: o médico desconfia do marketing, e o profissional de marketing não consegue se diferenciar nem sustentar contratos mais longos.

A proposta de Nathália Carvalho diante desse quadro é o que ela resume como "subir a régua do marketing médico no Brasil". "Subir a régua é fazer o profissional entender como esse trabalho é feito, executar com qualidade e cobrar de forma compatível, porque quase ninguém sabe fazer isso direito ainda", afirma. Na visão dela, o movimento atende duas pontas ao mesmo tempo: dá ao social media, ao gestor de tráfego e à agência um caminho para entregar resultado, e protege o médico, que investe e constrói uma relação longa com o fornecedor em vez de trocar de prestador a cada frustração.

O elo entre as duas pontas, na metodologia dela, é o conceito de projeto 360 — a ideia de que as ações precisam estar integradas em vez de soltas. "Não dá para pensar em tráfego sem posicionamento, nem em conteúdo sem uma estratégia que conduza o paciente da descoberta até a decisão. Na saúde, é a soma que gera resultado", explica. É esse encadeamento que ela ensina na Formação MED10K, voltada a profissionais de marketing que querem se especializar no nicho.

Para dar suporte à execução, ela lança agora o Sistema de Implementação da formação — um ambiente que organiza em etapas todo o processo de atendimento ao médico. A estrutura reúne num só lugar a metodologia, os fluxos de trabalho e os materiais de apoio, de roteiros de atendimento a modelos de acompanhamento de clientes, funcionando como um guia operacional para a rotina do estrategista. "A ideia é que o profissional implemente passo a passo, sem se perder, e acelere tanto o próprio resultado quanto o do médico que ele atende", diz Nathália Carvalho, que compartilha conteúdos sobre o tema em canais próprios, como o Instagram e o YouTube.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla de amadurecimento do marketing voltado à saúde, em que a comunicação técnica, a integração das ações e a observância das regras profissionais ganham peso. Informações sobre a metodologia e a atuação no segmento estão reunidas no site de Nathália Carvalho e no da agência adm.me. À medida que o número de médicos cresce e a disputa por visibilidade se intensifica, a especialização tende a se firmar como critério de escolha para quem contrata e como frente de trabalho para quem atua com marketing na área.