Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, tem como prioridade para esta reta final do ano consolidar os projetos em curso e preparar...

Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, tem como prioridade para esta reta final do ano consolidar os projetos em curso e preparar os próximos passos da organização para 2027. Na rubrica No Radar, fala dos desafios da liderança, do papel da inteligência artificial e da importância de apostar nas pessoas e na inovação para tornar as empresas mais eficientes e competitivas.

Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?

A minha prioridade será garantir que as apostas estratégicas que fizemos ao longo do ano se traduzem em resultados concretos para os nossos associados e para as empresas que trabalham connosco. Estamos numa fase importante de consolidação de iniciativas como a nova arquitetura de marca ou a codificação bidimensional GS1 e os serviços associados à transição digital e à sustentabilidade.

Continuaremos também focados em otimizar processos e reduzir ineficiências entre a indústria e o retalho, disponibilizando soluções que promovem uma maior colaboração e ganhos operacionais ao longo da cadeia de valor. Um exemplo disso é a evolução da plataforma SYNC PT, que reforçámos para simplificar a gestão e partilha de dados de produto, contribuindo para uma maior qualidade da informação e eficiência entre parceiros de negócio.

Mais do que lançar novas ideias, o foco agora está em assegurar que estas iniciativas geram impacto real, ajudando as empresas a ganhar eficiência, competitividade e capacidade de resposta aos desafios do mercado.

Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?

Aprendi, mais uma vez, que ouvir continua a ser uma das competências mais importantes da liderança. Num contexto de grande transformação tecnológica e regulamentar, ninguém tem todas as respostas. As melhores decisões surgem quando conseguimos reunir diferentes perspetivas e trabalhar em conjunto com empresas, reguladores, parceiros e equipas para desenvolver soluções relevantes e gerar impacto.

Mas 2026 reforçou também uma outra aprendizagem: a transformação organizacional só é sustentável quando é acompanhada por uma transformação cultural. Na GS1 Portugal temos investido na construção de uma cultura assente na confiança, na responsabilidade, na colaboração e no bem-estar, porque acreditamos que organizações saudáveis se constroem com pessoas saudáveis, envolvidas e comprometidas. Foi essa convicção que deu origem ao Pulse, um programa que hoje é muito mais do que uma iniciativa de bem-estar. É uma expressão da cultura que queremos consolidar, colocando as pessoas no centro da organização e promovendo um ambiente onde o desempenho e o bem-estar não são objetivos concorrentes, mas complementares.

O reconhecimento que recebemos este ano, através de prémios na área da comunicação interna e da valorização das pessoas, foi importante não pelo troféu em si, mas porque confirmou que estamos a construir a cultura certa para sustentar o desempenho e a evolução da organização.

No final, a principal aprendizagem mantém-se simples: os resultados são alcançados através das pessoas. Quanto mais forte for a cultura de colaboração, confiança e compromisso, maior será a capacidade da organização para se adaptar, inovar e criar valor de forma sustentável.

 Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?

A decisão mais importante até ao final do ano será definir como aceleramos a próxima etapa da transformação da GS1 Portugal.

Costumo olhar para esta jornada em três fases. Em 2025, procurámos compreender o nosso ponto de partida, identificando os nossos pontos fortes, as áreas de melhoria e as oportunidades para aumentar o valor que geramos para os associados. Em 2026, passámos da reflexão à ação. Tem sido o ano da transformação, em que materializámos uma visão estratégica assente em quatro prioridades: melhorar a experiência do associado, reforçar a cultura organizacional, dinamizar o ecossistema empresarial que gravita em torno da GS1 Portugal e evoluir a nossa abordagem ao mercado, focando-nos cada vez mais na criação de valor e na resposta a desafios concretos das empresas.

À medida que nos aproximamos de 2027, o desafio passa por decidir onde devemos concentrar recursos, investimento e talento para acelerar aquilo que já está a gerar maior impacto. Temos oportunidades relevantes em áreas como a codificação bidimensional GS1, o Passaporte Digital do Produto, a evolução dos serviços de valor acrescentado, a capacitação das empresas através da Academia GS1 Portugal e o reforço das comunidades e plataformas de colaboração que ligam a indústria, o retalho e outros parceiros da cadeia de valor.

Mais do que escolher novas iniciativas, a decisão passa por identificar aquelas que têm maior potencial para escalar, aprofundar o seu impacto e reforçar a capacidade da GS1 Portugal de criar valor para os associados, colaboradores e para a comunidade empresarial em geral. Afinal, a transformação não é um projeto com início e fim definidos. É um processo contínuo de aprendizagem, adaptação e evolução.

Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?

O tema que mais entrou no nosso radar nos últimos meses foi a forma como a inteligência artificial pode ser aplicada, de forma prática, para tornar as organizações mais simples, ágeis e preparadas para o futuro.

A velocidade com que a inteligência artificial passou da experimentação para a aplicação concreta no dia a dia das organizações é notável. Mas, mais do que a tecnologia em si, interessa-nos perceber como pode ajudar a repensar processos, eliminar complexidade, aumentar a eficiência e reforçar a capacidade de resposta das equipas.

Na GS1 Portugal, estamos a analisar de que forma a inteligência artificial pode apoiar a revisão e otimização dos nossos processos, capacitar as nossas pessoas e contribuir para uma organização mais lean, mais eficiente e mais preparada para responder às necessidades dos associados num contexto em rápida mudança.

Ao mesmo tempo, esta evolução reforça a importância dos dados de qualidade, da interoperabilidade e dos standards. Os próximos anos serão marcados pela convergência entre inteligência artificial, rastreabilidade, identidade digital dos produtos e novas exigências de transparência ao longo das cadeias de valor. Quem tiver dados fiáveis e estruturados estará mais bem preparado para tirar partido desta transformação.