A perda de peso deixou de ser uma questão restrita à dieta e à prática de exercícios físicos. Com os avanços da medicina voltada ao gerenciamento do peso, especialistas passaram a considerar uma série de fatores que influenciam o metabolismo e a saúde do orga…

A perda de peso deixou de ser uma questão restrita à dieta e à prática de exercícios físicos. Com os avanços da medicina voltada ao gerenciamento do peso, especialistas passaram a considerar uma série de fatores que influenciam o metabolismo e a saúde do organismo.

O avanço da obesidade no Brasil tem reforçado a necessidade de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento da doença. Dados recentes noticiados pelo Jornal da USP mostram que a prevalência da obesidade no país cresceu 118% nas últimas duas décadas, e atualmente mais de 60% da população brasileira está acima do peso.

Nesse contexto, tecnologias de suporte metabólico têm ganhado espaço como ferramentas complementares em protocolos médicos personalizados, auxiliando pacientes que enfrentam dificuldades para emagrecer e melhorar a disposição e a qualidade de vida.

O Dr. Daniel Bernucci, médico clínico, explica que a ideia de que o emagrecimento depende apenas do equilíbrio entre "calorias consumidas e calorias gastas" tem se mostrado insuficiente, pois essa visão reduz o corpo a uma simples máquina térmica, desconsiderando a influência dos sistemas hormonal, neurológico e metabólico.

Atualmente, acrescenta o especialista, a medicina integrativa compreende a perda de peso como um processo que envolve sinalização hormonal, equilíbrio fisiológico e otimização do metabolismo.

"O tecido adiposo não é apenas um depósito de energia; é um órgão endócrino ativo que secreta substâncias inflamatórias. Se um paciente está cronicamente inflamado, com resistência à insulina, disbiose intestinal ou com o eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal) desregulado pelo estresse, ele pode comer pouco e treinar muito e, ainda assim, não perder peso", detalha.

Segundo o estudo "Pharmacologic Treatment of Overweight and Obesity in Adults", publicado no Endotext/NCBI, o tratamento farmacológico da obesidade deve ser encarado como parte de uma estratégia de longo prazo para uma doença crônica e recorrente. Os autores destacam que os medicamentos antiobesidade são indicados para pacientes que não alcançaram perda de peso clinicamente significativa apenas com mudanças no estilo de vida e devem ser utilizados em conjunto com alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento comportamental.

Tecnologias ampliam as possibilidades do tratamento

Segundo o Dr. Daniel Bernucci, diversos fatores metabólicos podem dificultar o processo de emagrecimento, especialmente quando o organismo apresenta sinais de inflamação, baixa produção de energia celular e desequilíbrios no sistema nervoso. O médico destaca que tecnologias de suporte metabólico vêm sendo incorporadas a protocolos médicos por atuarem diretamente em mecanismos celulares e neurológicos relacionados à recuperação do organismo.

De acordo com ele, recursos utilizados na medicina regenerativa e no biohacking ajudam a otimizar a função das mitocôndrias, reduzir processos inflamatórios e modular respostas ao estresse, criando condições mais favoráveis para que o paciente responda de forma mais eficiente às mudanças de hábitos.

"Essas aplicações preparam o terreno biológico para que o paciente responda muito mais rápido e melhor às mudanças de estilo de vida, quebrando platôs de emagrecimento", acrescenta.

Os obstáculos metabólicos para o emagrecimento

Na análise do Dr. Daniel Bernucci, a dificuldade para emagrecer está frequentemente associada a uma combinação de fatores metabólicos que refletem características do estilo de vida contemporâneo.

Entre os principais estão a resistência à insulina, que dificulta a utilização da gordura como fonte de energia; a inflamação crônica de baixo grau, relacionada ao consumo de alimentos ultraprocessados, à exposição a toxinas ambientais e ao sedentarismo; e os desequilíbrios da microbiota intestinal, capazes de interferir na absorção de nutrientes e intensificar processos inflamatórios.

O médico também destaca que fatores como estresse crônico, níveis elevados de cortisol e privação de sono contribuem para alterações hormonais que favorecem o acúmulo de gordura corporal, aumentam a sensação de fome e prejudicam a capacidade do organismo de regular adequadamente o peso.

A personalização como estratégia para resultados duradouros

Na medicina funcional, conforme salienta o profissional, o foco do tratamento não está apenas na redução do peso corporal, mas na identificação dos fatores fisiológicos que contribuem para o ganho de peso e dificultam o emagrecimento. Segundo ele, a abordagem envolve uma investigação aprofundada do estado de saúde do paciente, incluindo exames laboratoriais detalhados, avaliação de marcadores inflamatórios, perfil hormonal, função tireoidiana, níveis de vitaminas e até aspectos relacionados à microbiota intestinal.

A partir desse mapeamento, é possível desenvolver protocolos individualizados, considerando as necessidades e características de cada organismo. "O que funciona para um paciente com dominância estrogênica é completamente diferente do que funciona para um paciente com alteração da liberação de cortisol e resistência à insulina. A personalização é a chave para resultados definitivos", enfatiza.

O futuro do emagrecimento passa pela tecnologia

Para o Dr. Daniel Bernucci, a tecnologia tem promovido uma mudança significativa na forma como os tratamentos para emagrecimento e qualidade de vida são conduzidos, substituindo abordagens baseadas em tentativa e erro por estratégias cada vez mais precisas e personalizadas.