Abundância de fontes renováveis convive com desperdício de produção e conta de luz mais alta para famílias e empresas
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22.set.2026 às 23h00
Edição Impressa Diminuir fonte
O próximo presidente vai precisar resolver um paradoxo no setor de energia. O Brasil avança na transição e ampliou fortemente a oferta de renováveis, que têm custos cada vez mais baixos. No entanto, convive com cortes de produção de eletricidade e aumentos na conta de luz.
Também não tem infraestrutura para usar gás natural no lugar de fontes mais poluentes, muito menos escalar o consumo de biocombustíveis.
Especialistas dizem que a situação é crítica em alguns segmentos, e a raiz dessa distorção está na perda da capacidade de planejamento nessa área tão estratégica para o desenvolvimento econômico.
Há um consenso entre os técnicos de que as decisões na área de energia como um todo —que reúne eletricidade, óleo e gás, biocombustíveis— passaram a ser tomadas de forma fragmentada, fonte a fonte, setor a setor.
Também atendem muito mais a lobbies pontuais, sem considerar o efeito sobre o custo para o consumidor, o impacto para o desenvolvimento econômico interno ou a competitividade do Brasil no cenário internacional.
O desarranjo é generalizado, afirma a diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos. Mas, segundo ela, o segmento que mais sofre é o setor elétrico.
Reportagens mostram os principais gargalos com que o mandatário eleito terá de lidar em sete áreas estratégicas —fiscal, saúde, segurança, Judiciário, relações internacionais, educação e energia— e apresenta as propostas dos principais candidatos para cada tema
O país convive diariamente com o curtailment —cortes compulsórios na geração, principalmente de fontes renováveis, quando a produção supera a capacidade de consumo ou de escoamento do sistema. O problema se agravou com a rápida expansão da geração solar distribuída, instalada em telhados e fazendas solares.
Durante o dia, a oferta solar dá um salto, mas cai rapidamente ao pôr do sol, obrigando o sistema a recorrer a outras fontes para equilibrar oferta e demanda.
O excesso de geração pode levar a apagões e vem desafiando a gestão do ONS (Operador Nacional do Sistema). O sobe e desce na oferta também faz o preço ter forte oscilação no mercado livre, ambiente onde empresas compram e vendem sem depender da distribuidora local.
Os cortes, por sua vez, afetam o caixa de hidrelétricas, usinas eólicas e solares, que não são pagas quando não produzem. Os prejuízos já levaram a recuperações judiciais e paralisaram investimentos em energia limpa, isso num momento em que o mundo demanda mais dessas fontes.
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Rosana lembra que, para dar segurança ao sistema diante do desequilíbrio entre oferta e demanda, o governo federal fez o Leilão de Reserva de Capacidade, que alimentou muita divergência.




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