Jon Lee Anderson afirmou que não descarta ação de Donald Trump na eleição brasileira e citou interesses dos EUA na China e na Amazônia.
O jornalista americano Jon Lee Anderson afirmou que “nunca descartaria” uma interferência de Donald Trump na eleição brasileira e avaliou que o Brasil ocupa posição relevante nos planos dos Estados Unidos para ampliar sua influência regional. Repórter da revista The New Yorker, ele deu a declaração em entrevista à BBC News Brasil.
Autor de um perfil do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes publicado em abril de 2025, Anderson disse que Trump já interferiu em outros pleitos e pode receber orientações para evitar manifestações públicas que provoquem reação negativa no eleitorado brasileiro. Para ele, a dinâmica política americana ainda favorece Bolsonaro.
O jornalista citou a aproximação do governo Lula com a China, especialmente após o tarifaço, como uma das razões para o interesse de Washington em uma mudança política no Brasil. “Um governo aliado no Brasil seria, para Washington, tirar mais uma peça chinesa do tabuleiro”, afirmou.
Anderson também mencionou a Amazônia e a política de segurança dos EUA. Na avaliação dele, uma eventual autorização de um futuro governo brasileiro para a atuação de forças paramilitares americanas contra narcotraficantes na região teria peso estratégico para Washington.
Anderson lembrou que o deputado Eduardo Bolsonaro circulou por Mar-a-Lago, mantém proximidade com um dos filhos de Trump e esteve na Casa Branca. Ele também citou as disputas nos tribunais americanos envolvendo decisões de Moraes contra a interferência da rede social X no Brasil.
O repórter relacionou esses elementos a uma doutrina de segurança nacional do governo Trump que, segundo ele, defende a hegemonia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. “O Brasil é uma peça grande disso, mesmo que eles não falem muito no assunto”, disse.
Anderson afirmou que a possibilidade de o próximo presidente indicar de três a quatro ministros para o STF deveria preocupar os brasileiros. Como comparação, citou as três nomeações feitas por Trump para a Suprema Corte dos Estados Unidos e criticou o que classificou como politização do tribunal americano.
Ao falar sobre Moraes, o jornalista disse que ainda não formou opinião sobre alegações envolvendo uma relação do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Anderson afirmou que pretende voltar ao Brasil e investigar o caso mais de perto, mas considerou prematuro emitir um julgamento sobre a veracidade das acusações.
Ele disse que, durante a apuração de seu perfil sobre Moraes, ouviu admiração e advertências a respeito da postura linha-dura do ministro. “Nas circunstâncias atuais, está do lado certo da história, mas é bastante conservador, foi linha-dura na segurança pública, tem os seus problemas”, declarou.
Anderson também avaliou que a disputa eleitoral brasileira reproduz paralelos entre o trumpismo e o bolsonarismo. Ele apontou pesquisas que colocariam Lula e Flávio Bolsonaro próximos na corrida e disse que apoios de candidatos de centro-direita no segundo turno podem influenciar o resultado.




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