Roberto Sallouti relembra a trajetória até o comando do BTG e dá conselhos para crescer no mercado de trabalho.

Roberto Sallouti revela os passos que o levaram da posição de estagiário à liderança de um dos maiores bancos de investimentos da América Latina e explica o que pode fazer a diferença no mercado de trabalho

O CEO do BTG Pactual (BPAC11), Roberto Sallouti, e a CEO da Na Prática, Anamaíra Spaggiari. - Imagem: Eduardo Frazão/Na Prática

No começo de sua vida profissional, Roberto Sallouti nem imaginava que chegaria ao comando de um dos maiores bancos de investimentos da América Latina. No início da carreira, o CEO do BTG Pactual (BPAC11) tinha outros planos: estudar nos Estados Unidos, voltar ao Brasil e abrir o próprio negócio, seguindo os passos da família de empreendedores.

O mercado financeiro entrou em sua vida quase por acaso, por meio de uma indicação. O que parecia apenas uma oportunidade de estágio acabou mudando seus planos — e ensinou uma lição de carreira: nem sempre é preciso estar pronto para dar o próximo passo. 

“Você tem que ter sorte na vida, mas tem que ter competência para aproveitá-la”, dizia seu pai.  

A frase, lembrada por Sallouti durante um painel sobre educação, carreira e protagonismo nesta terça-feira (20), resume parte da filosofia que o levou ao topo do BTG: dedicação, resiliência e disposição para assumir desafios, mesmo diante das incertezas. 

A educação sempre foi uma prioridade na família de Sallouti. Seu pai chegou ao Brasil em 1959, aos 21 anos, sem falar português e com passaporte de refugiado.  

Já o empreendedorismo era uma referência cotidiana: parentes mantinham negócios que iam de postos de gasolina e lojas de artigos esportivos a uma fábrica de tênis. 

O próprio pai tinha uma produtora de cinema, onde Sallouti trabalhava nas férias escolares. Mas o jovem acabava quase sempre no departamento de contas a pagar — o que levou o pai a sugerir outro caminho. 

“Meu pai falava: ‘Filho, você não dá para esse negócio, vai estudar economia’”, contou. 

A mudança de rota o aproximou do então Banco Pactual. A perspectiva de trabalhar em um ambiente empreendedor, receber bônus fartos e, eventualmente, se tornar sócio despertou seu interesse.  

Havia também uma afinidade com a dinâmica do mercado financeiro, que exigia interpretar informações, formular cenários e tomar decisões. Um processo que guardava semelhanças com a rotina de quem empreende, diz o executivo. 

A trajetória no banco não foi uma sequência de promoções e conquistas. Segundo Sallouti, parte do que o levou adiante foi aceitar novos desafios mesmo quando ainda não se sentia pronto para eles. 

“Quando a chance aparecia, eu nunca estava pronto, mas ia de cabeça”, afirmou. 

A disposição para assumir riscos calculados é uma das lições que o CEO extraiu da própria experiência. Para explicar essa postura, ele recorreu a um conceito conhecido do mercado financeiro: a assimetria entre risco e retorno. 

A lógica é buscar situações em que o ganho potencial compense o risco assumido.  

Na carreira, isso significa estar disposto a encarar desafios que podem abrir portas e acelerar o crescimento profissional, mesmo quando a sensação é de ainda não estar totalmente preparado. 

Isso não significa que toda aposta dará certo. O próprio Sallouti descreveu sua trajetória como marcada por frustrações, desafios e reviravoltas, apesar da impressão de uma ascensão contínua. 

“Se você pegar a minha carreira, ela parece superlinear, mas foi zero linear: sempre muita frustração, muito desafio, muita oportunidade”, disse. 

A lição, portanto, não é apenas aceitar riscos, mas estar preparado para aprender com eles e aproveitar as chances que fazem sentido. 

Quanto ao perfil que busca nos jovens profissionais do BTG, Sallouti ressaltou que o conhecimento técnico, por si só, não basta.