Segundo CEO, os vencedores da premiação criaram soluções para desafios que vão da prevenção de quedas em idosos à pesquisa médica.

Segundo a CEO do Na Prática, os vencedores da premiação criaram soluções para desafios que vão da prevenção de quedas em idosos à pesquisa médica

Os vencedores do prêmio do Na Prática, que receberão viagem para a China. - Imagem: Eduardo Frazão/Na Prática

A China está no horizonte de cinco universitários brasileiros que transformaram problemas reais em projetos de tecnologia, pesquisa e impacto social. Eles são os vencedores regionais do Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário 2026 e ganharão uma viagem com todas as despesas pagas ao país asiático, onde conhecerão empresas de educação, robótica e satélites. 

A iniciativa busca ampliar o repertório dos estudantes e mostrar como ideias podem sair do papel e se tornar soluções concretas.  

Para Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática, organização de desenvolvimento de carreira e liderança ligada ao ecossistema do BTG Pactual, o contato com um dos principais polos globais de inovação pode ajudar os jovens a enxergar possibilidades que ainda não consideravam para suas trajetórias. 

“Quando o jovem brasileiro tem acesso a isso, começa a perceber que precisa tirar barreiras e dificuldades que às vezes coloca”, afirmou a executiva, em entrevista ao Seu Dinheiro. 

O prêmio selecionou 15 finalistas entre milhares de inscritos. Além da viagem internacional dos cinco vencedores regionais, todos os finalistas participam de uma imersão em São Paulo, com atividades de liderança, visitas a empresas parceiras e a etapa final da competição. 

A proposta vai além de premiar boas ideias. O Na Prática também quer aproximar jovens talentos do mercado de trabalho e inspirar outros universitários a desenvolver projetos com impacto econômico, social ou ambiental. 

Os cinco estudantes premiados atuam em áreas distintas, da tecnologia assistiva à inteligência artificial aplicada à saúde e ao agronegócio.  

Em comum, eles têm projetos que tentam responder a problemas concretos — desde obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência visual até desafios da pecuária e da pesquisa médica. 

Veja os vencedores: 

A escolha da China como destino não foi por acaso. Segundo Spaggiari, a escala do ecossistema de inovação do país permite apresentar aos estudantes experiências que dificilmente estariam ao alcance deles individualmente.  

O roteiro inclui visitas a três empresas ligadas a educação, robótica e satélites. 

Para a executiva, um dos aspectos que merecem atenção é a conexão entre educação e desenvolvimento tecnológico. Desde cedo, estudantes chineses são incentivados a participar de olimpíadas de conhecimento e robótica e a desenvolver o raciocínio científico e a capacidade de resolver problemas. 

A comparação, porém, exige considerar as diferenças entre os países. Spaggiari observa que a China conta com planejamento estatal de longo prazo, enquanto as alternâncias de governo no Brasil podem dificultar a continuidade de estratégias de desenvolvimento econômico e social. 

Ainda assim, ela vê avanços nas universidades brasileiras, que têm ampliado o espaço para inovação, empreendedorismo e tecnologia. É nesse movimento que o Na Prática busca atuar, como parceiro das instituições de ensino, com atividades voltadas a competências socioemocionais e liderança. 

A organização também procura estimular uma postura prática diante de problemas complexos: reconhecer os desafios, identificar onde é possível agir e desenvolver soluções, em vez de esperar que outras pessoas tomem a iniciativa. 

“Precisamos estimular o jovem a entender onde consegue influenciar, escolher um pedaço desse problema para resolver e contribuir para o desenvolvimento do país e do mundo”, afirma Spaggiari. 

A estratégia também vem se ampliando. Em vez de atuar apenas diretamente com os estudantes, a organização propõe parcerias com universidades para complementar o trabalho de centros de carreira, identificar talentos e aproximá-los de oportunidades profissionais. 

Para Spaggiari, as empresas enxergam o Na Prática como uma ponte para universitários e recém-formados com potencial e capacidade de intraempreender — ou seja, de propor e executar iniciativas inovadoras dentro de uma organização. 

“Conseguimos fazer uma boa curadoria: à medida que educamos e escalamos, selecionamos os que estão mais preparados e com mais potencial e os conectamos com os nossos parceiros, ampliando suas oportunidades de trabalho”, afirma.