Muito além de um encontro anual de tecnologia, o GO!RN consolidou-se como uma jornada contínua de desenvolvimento econômico, formalização de negócios e
Muito além de um encontro anual de tecnologia, o GO!RN consolidou-se como uma jornada contínua de desenvolvimento econômico, formalização de negócios e integração territorial. O evento, que acontece nos dias 18 e 19 de setembro, no Centro de Convenções de Natal, é promovido pelo SEBRAE/RN e correalizado por mais de 40 instituições do ecossistema potiguar.
O encontro reúne startups, empresas de tecnologia e tradicionais, investidores, pesquisadores e gestores públicos para acelerar conexões, gerar novos negócios e discutir o futuro da economia regional. A edição de 2026 projeta superar 15 mil participantes de 21 estados em uma estrutura imersiva com 14 palcos, 13 eixos temáticos, mais de 250 atividades e a concessão de cerca de R$ 4 milhões em incentivos e créditos tecnológicos (AWS e Canva) para startups expositoras.
David Góis, Gerente da Unidade de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, apresenta dados inéditos de impacto do evento, aborda a democratização da inovação em setores tradicionais e aponta os gargalos que o estado precisa superar para reter talentos e atrair investimentos.
O que o crescimento do GO RN efetivamente produz para o ecossistema de inovação do RN? Que resultados concretos podem ser associados ao evento nesses últimos anos?Fizemos uma análise da trajetória de 45.204 participantes distintos das quatro edições, entre 2022 e 2025, cruzando essa base com aproximadamente 3,5 milhões de registros de atendimento do Sebrae. E os resultados são muito expressivos: 59,3% dos participantes voltaram a ser atendidos pelo Sebrae após o GO!RN; 45,4% tiveram pelo menos dois atendimentos posteriores e 13% chegaram a dez ou mais. Ou seja, o evento não termina quando fechamos as portas do Centro de Convenções: ele desencadeia uma jornada de relacionamento, capacitação e desenvolvimento.
O evento estimula a formalização de novos negócios?É outro dado, talvez, ainda mais simbólico: 1.450 participantes se formalizaram pela primeira vez depois de participar do GO!RN e outros 963, que já eram empresários, abriram outro CNPJ. São 2.413 pessoas que abriram uma empresa depois da edição que frequentaram. É claro que não podemos atribuir causalidade exclusiva ao evento, mas existe uma associação muito forte entre esse público e o comportamento empreendedor. Então, quando falamos de impacto, estamos falando de algo que chega à sociedade: mais pessoas empreendendo, empresas buscando conhecimento, negócios se conectando e inovação chegando mais perto da realidade econômica do Rio Grande do Norte.
O que mudou no ecossistema potiguar desde a primeira edição em 2020?O que percebemos é um ecossistema muito mais conectado e consciente de que inovação não se faz de forma isolada. Universidades, startups, empresas tradicionais, investidores, poder público, ambientes de inovação e instituições de apoio passaram a se encontrar com maior frequência e, principalmente, a desenvolver agendas conjuntamente. O GO!RN é resultado e, ao mesmo tempo, acelerador dessa transformação. Para se ter uma ideia dessa capilaridade, o Rio Grande do Norte conta hoje com 9 ecossistemas territoriais e dois setoriais envolvidos nessa articulação, e a edição de 2026 é correalizada por mais de 40 instituições.
Também mudou o entendimento sobre inovação?Ela deixou de ser vista apenas como algo ligado às empresas de tecnologia. Hoje falamos de inovação na indústria, no comércio, no turismo, na energia, no agronegócio, na saúde, na educação e no poder público. O GO!RN ajuda a democratizar essa agenda, porque coloca essas discussões diante de estudantes, pesquisadores, empresários, atores públicos e potenciais empreendedores. O grande avanço, portanto, é cultural: estamos construindo no RN uma sociedade que começa a enxergar inovação não apenas como tecnologia, mas como instrumento de desenvolvimento.
Em quais aspectos o RN ainda precisa melhorar para se tornar um ambiente mais competitivo em inovação?Temos bons ativos no Estado: universidades, pesquisadores qualificados, empreendedores, ambientes de inovação e instituições de apoio. O desafio agora é fazer esses ativos se conectarem cada vez mais ao mercado. Precisamos avançar principalmente em acesso a capital, conexão das startups com grandes empresas, transformação da pesquisa científica em soluções comerciais, acesso a mercados nacionais e internacionais e retenção de talentos. É necessário também ampliar as oportunidades para empreendedores que estão fora da capital. Um ecossistema realmente competitivo não é aquele que apenas cria muitas startups, mas aquele que permite que elas nasçam aqui, encontrem clientes aqui, recebam investimento, cresçam e tenham condições de permanecer no Rio Grande do Norte vendendo para o Brasil e para o mundo.
Nesse contexto, de que forma eventos como o GO!RN são estratégicos?Eles encurtam distâncias entre quem tem uma solução e quem tem um problema, entre quem precisa de investimento e quem dispõe de capital, e entre quem produz conhecimento e quem pode transformá-lo em negócio. Outra oportunidade para o RN e para os municípios que já possuem um fluxo de turistas é desenvolver uma estratégia de atração de empresários de negócios inovadores, além de nômades digitais que operam seus negócios de qualquer lugar do mundo, fazendo com que o sol e o mar, somados com um ecossistema estruturado, possam atrair cada vez mais empresários de negócios de alto valor para o nosso estado, dinamizando a nossa economia, tornando-o um território cada vez mais promissor.
Como o GO!RN contribui para que a Inteligência Artificial ajude empresas a gerar ganhos reais?Nosso desafio é retirar a inteligência artificial apenas do campo da tendência e trazê-la para o dia a dia das empresas. Para um pequeno negócio, pouco adianta falar sobre IA de forma abstrata. É necessário mostrar como ela pode ajudar a vender mais, atender melhor, reduzir custos, automatizar tarefas, analisar dados, produzir conteúdo, melhorar processos e tomar decisões com mais informação. Por isso, tecnologia aparece no GO!RN conectada a temas empresariais, como estratégia, mercado, vendas, experiência do usuário, segurança da informação e crescimento dos negócios. A própria edição de 2026 incorpora o DevFest Natal à programação, aproximando ainda mais a comunidade tecnológica do ambiente empresarial. Muitas vezes, uma pequena empresa do interior ou um jovem que está começando não teria acesso fácil aos profissionais, tecnologias e discussões que estarão reunidos no evento.
Qual o balanço da edição anterior?Os dados de 2025 reforçam uma característica que vem aparecendo em toda a série histórica: o público do GO!RN possui um nível de engajamento significativamente superior à média estadual. Em 2025, 20,6% dos pequenos negócios ligados ao GO!RN estavam engajados, contra 12,3% na média do Rio Grande do Norte. Há ainda 99 aberturas de empresas já identificadas entre participantes da edição de 2025, mas esse número precisa ser interpretado corretamente: essa turma tinha apenas 8,7 meses de acompanhamento quando o estudo foi realizado, enquanto a edição de 2022 já tinha uma janela de 45 meses. Portanto, esse resultado ainda tende a amadurecer.
Qual a expectativa e novidades para este ano?Para 2026, a expectativa oficial é superar 15 mil participantes, e já temos inscritos de 21 estados brasileiros. Serão mais de 250 atividades, distribuídas em 14 palcos e 13 eixos temáticos, além da participação de 50 startups e mais de 40 instituições do ecossistema. Entre as novidades estão o GO!RN Week, a integração do DevFest Natal, um espaço dedicado às energias renováveis e novas experiências para o público. O GO!RN Week acontece de 8 a 17 de setembro, antecedendo os dois dias principais do evento. A ideia é que universidades, startups, empresas, comunidades e organizações ligadas à inovação realizem atividades em seus próprios ambientes, espalhando a agenda de inovação pela cidade e por diferentes espaços do ecossistema. Haverá ainda benefícios tecnológicos expressivos: aproximadamente R$ 600 mil em créditos relacionados às ferramentas do Canva e cerca de R$ 3,5 milhões em créditos AWS destinados às startups expositoras. Quanto aos negócios, queremos ir além de uma estimativa de movimentação. A proposta é acompanhar aquilo que efetivamente se converte em resultado, separando negócios fechados durante o evento, negócios concretizados posteriormente e oportunidades que continuam em negociação. Isso permitirá medir com muito mais precisão o impacto econômico real do GO!RN.
O que o RN precisa construir em termos de formação, mercado, infraestrutura ou políticas públicas para que uma empresa inovadora consiga nascer, crescer e permanecer aqui?Precisamos construir uma jornada completa. Na formação, é fundamental aproximar cada vez mais educação, tecnologia e empreendedorismo, desde os estudantes até os pesquisadores e empresários. No mercado, precisamos facilitar o encontro das startups com clientes, grandes empresas e compradores públicos. Em infraestrutura, precisamos fortalecer ambientes de inovação, laboratórios, conectividade e acesso às tecnologias que permitem às empresas competir globalmente. Também é fundamental ampliar instrumentos de financiamento e investimento. Uma empresa inovadora pode ter uma excelente solução e ainda assim deixar o Estado, porque não encontrou capital ou mercado para crescer. E as políticas públicas precisam estimular inovação de forma continuada, com segurança e previsibilidade, inclusive utilizando mecanismos como compras públicas de inovação e programas capazes de aproximar pesquisa, empresas e sociedade. O objetivo final deve ser muito claro: formar talentos no Rio Grande do Norte e criar condições para que esses talentos enxerguem aqui oportunidades para construir suas carreiras e seus negócios. Isso tem impacto direto na geração de emprego qualificado, renda e desenvolvimento regional.
David Xavier de Souza Góis é gerente da Unidade de Negócios, Inovação e Tecnologia (UNIT) do Sebrae-RN, onde atua há mais de 18 anos. Mestre em Ciência, Tecnologia e Inovação, é especialista em Gestão de Pequenos Negócios. À frente de projetos como o GO!RN e os Ecossistemas Locais de Inovação (ELIs), trabalha na articulação entre empresas, universidades, poder público e outros atores para fortalecer o ambiente de inovação e transformar conhecimento em oportunidades de negócios no Rio Grande do Norte.
30 de setembro de 2026




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