Os juros podem ser bem menores sob um processo de recuperação de superávits e estabilização da dívida/PIB

Em 25 de agosto de 2026, o Wall Street Journal publicou o artigo de opinião Let the Bond Market Speak (Deixe o mercado de títulos falar), assinado por Stanley Druckenmiller, figura importante na trajetória profissional do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. No texto, Druckenmiller defende que os preços dos títulos sejam livres para expressar a visão do mercado sobre crescimento e sustentabilidade fiscal. Para ele, juros em alta são um sinal de alerta, e a recompra de papéis só joga lenha na fogueira.

No Brasil, o mercado de títulos públicos também tem “falado”. Em 2026, a NTN-B (título que paga ao detentor a inflação acrescida de uma taxa pré-fixada) com vencimento de cinco anos foi negociada a juros reais acima de 7,5% durante boa parte do ano; chegou ao pico de 8,7% em junho. Esses níveis foram lidos como sinal de que o risco fiscal estaria pressionando os juros reais. A competição com os títulos incentivados e as condições de liquidez do mercado também surgiram para explicar o fenômeno.

Aqui, buscamos auscultar o mercado de títulos, que se expressa por meio de suas taxas. O movimento dos juros reais, logo após o resultado do primeiro turno, passou mensagem clara: a perspectiva de ajuste fiscal agrada ao mercado. A taxa da NTN-B de cinco anos caiu de 7,64% para 7,04% no primeiro dia útil após a eleição.

Mesmo com a queda, o nível atual, ao redor de 6,85%, ainda é alto, vale dizer. Estaria a taxa embutindo outras mensagens do mercado de títulos? Para responder, fizemos o exercício de decompor os juros reais da NTN-B.

Em teoria, um investidor americano que deseja exposição a um título indexado à inflação compraria uma Treasury Inflation-Protected Security (Tips). Esse título rende a inflação ao consumidor americano mais uma taxa de juros real. O que motivaria esse investidor a comprar uma NTN-B? A resposta a essa pergunta ajuda a tecer comparações e a precificar os motivos dos juros altos no Brasil. De forma simplificada, ele exigiria: