A aposta de Trump em grandes barganhas com Putin e Xi pode produzir o oposto da grandeza que promete: uma ordem de esferas de influência mais favorável aos rivais dos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem manifestado interesse na proposta do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de uma reunião deles com o líder chinês, Xi Jinping, para discutir a guerra da Ucrânia. O atrativo é óbvio: três potências, uma mesa, a promessa de abreviar uma guerra cruenta que se arrasta há anos. A conta viria depois. Kiev e os europeus correriam o risco de assistir de fora enquanto outros discutem território, garantias e o equilíbrio de poder no continente. Moscou conhece bem essa ordem. Pequim também. Já Washington construiu sua força de outro modo.
Trump privilegia uma ideia de poder que se vê imediatamente: ameaçar, retirar benefícios, impor custos, arrancar acordos. Essa diplomacia pode produzir troféus rápidos, mas tende a degradar um patrimônio menos vistoso. Desde o pós-guerra, os EUA multiplicaram sua força porque dezenas de países aceitaram amarrar parte da própria segurança à americana. Bases, inteligência e interoperabilidade vieram dessa escolha; o ativo decisivo é a disposição de cooperar, em razão de valores em comum.



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