Rogério Rodrigues, CEO da Abecom, transformou uma trajetória iniciada na operação em uma história de liderança, crescimento e legado
Priorizar nos meus resultados Google A história de Rogério Rodrigues com a empresa Abecom começou cedo. Aos 14 anos, passou a trabalhar como empacotador nessa distribuidora de rolamentos e produtos de borracha. O negócio foi fundado por seu pai, Antonio de Jesus Rodrigues, no bairro paulistano do Brás, em 1963. Foi ali, atuando na operação, que Rogério passou a conhecer a empresa por dentro.
Filho único de Antonio e Luny Ezequiel Rodrigues, Rogério nasceu em São Paulo em 1972. A mãe teve influência importante em sua formação, incentivando-o a acreditar em suas ideias e a buscar seus objetivos.
Ainda jovem, fez o curso técnico de Mecânica na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, formação de quatro anos realizada em conjunto com o então colegial e concluída em 1989. Mais tarde, graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade Paulista em 1995 e, dois anos depois, concluiu uma pós-graduação em Gestão de Negócios na Fundação Getulio Vargas.
Aos 19 anos, quando os pais se mudaram de São Paulo para Arujá, Rogério decidiu permanecer na capital e morar sozinho. Viveu assim até os 25 anos, experiência que contribuiu para desenvolver sua independência e seu senso de responsabilidade.
Nesse período, enquanto conciliava a faculdade com o trabalho na Abecom, um acontecimento mudou o rumo de sua trajetória. A saída inesperada de um gerente que respondia diretamente ao pai fez com que assumisse parte de suas responsabilidades. Na época, também frequentava o CPOR, Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, que decidiu deixar para ampliar sua dedicação aos negócios da família.
Ao longo dos anos, passou por praticamente todas as áreas da Abecom. Trabalhou no estoque, foi motorista de entregas e almoxarife, dedicou-se a vendas internas, compras e vendas externas e, posteriormente, assumiu a Gerência de Vendas. Essa experiência permitiu que conhecesse diferentes dimensões do negócio e entendesse, na prática, como cada área contribuía para o funcionamento da empresa.
Depois da faculdade, começou a implementar diferenciais de atendimento e serviços agregados, buscando compreender não apenas o que os clientes compravam, mas também como utilizavam os produtos. Em 2002, assumiu o posto de CEO da Abecom.
A empresa que começou a conhecer ainda adolescente também se transformou. Hoje, a Abecom reúne mais de 250 profissionais, possui oito unidades de negócios e atende todo o Brasil. Sua atuação está concentrada em soluções especializadas para manutenção industrial, combinando produtos e serviços para gerar valor e contribuir para a redução global de custos dos clientes.
Rogério também construiu sua própria família. Tem dois filhos, Guilherme e Vitória, que seguiram caminhos profissionais distintos. Guilherme trabalha com o pai e concluiu sua graduação no Ibmec, enquanto Vitória escolheu a Medicina.
O pai, que faleceu em 2018, sempre soube separar as relações familiares das profissionais. Dentro da Abecom, primeiro tratou Rogério como funcionário e, mais tarde, como sócio. Foram poucos os privilégios por ser filho do fundador, experiência que o executivo considera fundamental para seu amadurecimento e para a conquista do próprio espaço na companhia.
À medida que assumia novas responsabilidades, Rogério também começava a olhar para o futuro da sociedade. Seu pai tinha um sócio minoritário, mais velho que ele, cujo único filho não demonstrava interesse em permanecer no negócio. Aquela configuração poderia, no futuro, criar uma questão sucessória.
Em 1998, teve início a aquisição dos 30% pertencentes a esse sócio. O pai adquiriu 15% da participação, enquanto os outros 15% ficaram sob responsabilidade de Rogério e foram pagos por ele ao longo de cinco anos.
Foi um importante voto de confiança, mas também um desafio múltiplo. Mais do que ampliar sua participação na Abecom, aquele processo trouxe aprendizados sobre compromisso financeiro, sociedade e visão de longo prazo. Rogério começava a compreender, na prática, que ocupar espaço em uma empresa familiar também significava assumir os riscos correspondentes.
O crescimento profissional trouxe ainda escolhas que, com o tempo, passou a enxergar de outra maneira. Seu primeiro filho nasceu quando tinha 30 anos, em uma fase de intensa dedicação à empresa. Hoje, reconhece que poderia ter acompanhado mais de perto alguns momentos do crescimento dos filhos. Com o passar dos anos, procurou construir uma relação mais equilibrada entre trabalho e vida pessoal.
Antonio tinha uma atuação mais ligada à área financeira, enquanto Rogério se concentrava principalmente na área comercial. Com o crescimento da Abecom, ficou evidente a necessidade de fortalecer também a estrutura executiva da companhia.
Foi nesse contexto que Rogério reencontrou Frederico Ripke, amigo de infância, formado pela USP e que, na época, trabalhava na Siemens. Durante aproximadamente um ano, conversaram sobre a possibilidade de Frederico se juntar à Abecom. Em 2008, ele ingressou na companhia e tornou-se sócio, inicialmente com 1% de participação, assumindo responsabilidades executivas, especialmente na área financeira.
A chegada de Frederico criou uma parceria importante para a gestão. Os dois passaram a trocar ideias, discutir decisões e compartilhar diferentes visões sobre o negócio. Para Rogério, ter alguém com quem dividir reflexões estratégicas mostrou que liderar não significa decidir tudo sozinho.
Ao longo desse processo, também entendeu que liderar uma empresa exige aprendizado contínuo. Procura se manter atualizado por meio de livros, podcasts e palestras, além de acompanhar movimentos da macroeconomia e tendências capazes de afetar os negócios. Em sua visão, manter uma empresa competitiva exige disposição para aprender, rever decisões e questionar modelos que funcionaram no passado.
A maneira de Rogério liderar mudou ao longo dos anos. Sua formação profissional ocorreu em uma época em que predominava um modelo mais rígido de gestão, marcado por decisões centralizadas, cobrança intensa e pouca abertura para demonstrar vulnerabilidade. Durante muito tempo, essa referência também influenciou sua forma de liderar.
Com o crescimento da Abecom e as mudanças nas relações de trabalho, percebeu que aquele modelo já não respondia da mesma maneira às necessidades da empresa e das pessoas. A criação de uma área estruturada de Recursos Humanos fez parte dessa transformação e ampliou sua própria visão sobre gestão de pessoas.




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