A obesidade continua avançando entre os brasileiros e já figura entre os principais desafios de saúde pública do país. Dados da Pesquisa Vigitel 2025, divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), mostram que, entre 2006 e …
A obesidade continua avançando entre os brasileiros e já figura entre os principais desafios de saúde pública do país. Dados da Pesquisa Vigitel 2025, divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), mostram que, entre 2006 e 2024, a prevalência da obesidade aumentou 118% na população adulta.
Outro levantamento, realizado pelo American College of Physicians (ACP) e publicado pelo g1, revela que 68% dos adultos apresentam excesso de peso e 31% já são considerados obesos. Apenas em 2021, quase 61 mil mortes prematuras no país foram atribuídas ao índice de massa corporal (IMC) elevado.
O crescimento desses números também tem sido acompanhado por uma mudança no perfil dos pacientes que procuram atendimento médico. Cada vez mais informados, eles chegam ao consultório conhecendo medicamentos, acompanhando conteúdos sobre saúde nas redes sociais e buscando tratamentos personalizados.
Segundo o Dr. Rander Dantas, médico pós-graduado em Medicina do Exercício e do Esporte, com formação complementar em saúde hormonal, esse novo comportamento demonstra que o paciente deixou de procurar apenas uma solução rápida para a perda de peso.
"Hoje o paciente conhece o nome das medicações, acompanha informações sobre semaglutida, tirzepatida e as novas moléculas que estão chegando ao mercado. Nunca tivemos tanto acesso à informação. Ao mesmo tempo, percebemos que as pessoas não procuram apenas uma receita médica. Elas querem compreender por que ganharam peso, por que recuperaram os quilos perdidos e, principalmente, como podem mudar essa realidade de forma definitiva", detalha.
Para o Dr. Rander, embora os avanços da medicina tenham ampliado significativamente as opções terapêuticas, nenhum medicamento substitui uma avaliação clínica cuidada e individualizada.
Muito além da alimentação
A Dra. Heidi Bezerra, médica pós-graduada em Endocrinologia e Metabologia, explica que o tratamento da obesidade começa muito antes da escolha de qualquer medicação.
Segundo ela, a consulta busca compreender o paciente de forma integral, avaliando fatores metabólicos, hormonais, comportamentais e emocionais que podem interferir diretamente no ganho de peso e na dificuldade para emagrecer.
Entre os aspectos investigados estão a qualidade do sono, o funcionamento intestinal, a alimentação, a prática de atividade física, a composição corporal, os níveis hormonais e de vitaminas, a resistência à insulina, o estresse, a disposição física, a libido e o momento emocional vivido pelo paciente.
"Nem sempre o maior obstáculo está na alimentação. Já acompanhamos pacientes cuja principal dificuldade era um processo de luto, ansiedade, depressão, conflitos familiares ou uma rotina completamente desorganizada. Quando identificamos essas causas, o tratamento passa a fazer muito mais sentido", reforça.
Cada paciente possui uma história diferente
Para o Dr. Rander Dantas, os exames laboratoriais representam apenas uma parte da investigação. Além da avaliação metabólica, hormonal e da composição corporal, ele considera indispensável conhecer a rotina, os hábitos e a história de vida de cada paciente.
"Existem situações em que o paciente precisa ser ouvido antes mesmo de receber qualquer orientação médica. Muitas vezes conversamos sobre família, propósito, espiritualidade, relacionamentos e desafios pessoais. Tudo isso influencia diretamente a saúde e também interfere no processo de emagrecimento".
Essa abordagem permite que o plano terapêutico seja construído de maneira individualizada, respeitando as necessidades, os objetivos e a realidade de cada pessoa.
Emagrecer é importante. Manter os resultados é o verdadeiro desafio
Perder peso tornou-se possível graças aos avanços da medicina; manter os resultados continua sendo uma das etapas mais difíceis do tratamento. Para a Dra. Heidi Bezerra, é justamente nesse momento que o acompanhamento médico faz toda a diferença.
"A definição da medicação pode acontecer em poucos minutos. O maior desafio é ajudar o paciente a recuperar a confiança em si mesmo, desenvolver novos hábitos e permanecer motivado durante todo o processo", relata.
Ela ressalta que os benefícios vão muito além da redução do peso corporal. "Quando o paciente consegue transformar seus hábitos, ele melhora a disposição, recupera a autoestima, dorme melhor, trabalha com mais qualidade, fortalece os relacionamentos e passa a enxergar a saúde como um projeto para toda a vida".
O emagrecimento é consequência de uma vida mais saudável




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