Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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22.set.2026 às 23h00

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Está saindo do forno uma medida provisória que limita a jogatina liberada pelo governo. Lula gostaria de acabar com ela, mas, como já explicou, não é dono do país. A favor mesmo, só o Ministério da Fazenda. Ele calcula que, se as apostas fossem proibidas, a Viúva deixaria de arrecadar R$ 12 bilhões.

A teia de interesses que gravitam em torno da jogatina fortalece-se a cada dia. Basta dizer que os clubes de futebol ameaçam com o fim do esporte no Brasil caso as apostas sejam proibidas. Como o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo sem o patrocínio de casas de apostas, ninguém explica. Também não explicam por que, no ano da Copa das Apostas, a seleção voltou para casa depois das oitavas de final.

A jogatina foi legalizada com o propósito de bombar a arrecadação e, com esse objetivo, descuidaram-se dos detalhes. Como lembrou Lula, com os celulares, cada sala de jantar virou um cassino. Em 2025, as apostas drenaram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares e o comércio perdeu R$ 134 bilhões em dois anos. Parte desse dinheiro vai-se embora do país.

(Não se acredite que com um Bolsonaro a coisa melhore, pois Jair prometeu ao rei dos cassinos de Las Vegas abrir as casas de jogo.)

É improvável, mas era possível, que o Brasil abrisse um mercado de apostas de forma ordenada. Como as tratativas deram-se no escurinho de Brasília, o resultado foi o pior possível. Disso resulta que o governo está tonto, correndo atrás do prejuízo social e sujeito aos mais diversos tipos de pressão.

Se o crime organizado consegue se infiltrar em fundos de investimento da Faria Lima, o que ele consegue fazer em casas de apostas? Um ex-funcionário do Banco Master lava dinheiro no jogo do tigrinho. A banda da jogatina tem alguma má consciência. Só isso explica a tentativa de impor cem anos de sigilo nas negociações para autorizar o funcionamento de casas de apostas.

O ex-ministro da Fazenda e atual candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, defende que as casas de apostas sejam proibidas. Como? A ver. Seus argumentos são fortes: "Isso não está fazendo bem para ninguém".

"Não gera emprego, há evasão de divisas —o que vai de dinheiro para fora é uma montanha de dinheiro— e nós podemos estar falando em alguma coisa entre 0,5% e 1% do PIB. É muito dinheiro para uma coisa que está gerando o quê de bem-estar? Não está gerando bem-estar nenhum."

No mundo digital é impossível acabar com as apostas com uma canetada, como fez o presidente Dutra em 1946, mas pode-se pôr alguma ordem na festa. Se as restrições impostas às apostas seguirem o modelo das que são aplicadas aos cigarros e às bebidas, já é um bom começo.

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