Documento foi apreendido durante a Operação Wi-Fi em junho deste ano; manuscrito não informa o sobrenome de 'Mário'. Deputado federal Mário Frias (PL) é p...
Organograma que mostra nome de Mário ao lado do nome da produtora do filme de Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução
Um organograma escrito à mão em um papel, apreendido pela Polícia Civil de SP durante a operação Wi-Fi em São Paulo, mostra o nome "Mário" ao lado das palavras "sócio" e "Go Up", produtora cinematrográfica nos Estados Unidos.
A ação foi realizada para investigar a suspeita de fraude em um contrato da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) com a Prefeitura de São Paulo. O Instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da Go UP, produtora do filme "Dark Horse" sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Não consta no manuscrito o sobrenome de "Mário". O deputado federal Mário Frias (PL-SP) é produtor-executivo do filme Dark Horse, mas ele nunca foi descrito como sócio da produtora nos EUA. Na última quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em operação relacionada ao financiamento do filme. Karina e Mário Frias foram alvos da ação (veja mais abaixo).
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O documento que mostra o organograma foi anexado aos autos do inquérito que tramitava em São Paulo e posteriormente foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O ministro Flávio Dino retirou o sigilo de documentos remetidos pela Justiça de São Paulo neste domingo (13) e unificou sob sua relatoria inquéritos que apuram um possível esquema de desvios e ocultação de verbas públicas.
O inquérito não informa quem elaborou o organograma, mas é possível observar que o papel traz anotações relacionadas a outros três CNPJs controlados por Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Go7 e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
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O nome de "Mário" também aparece ligado a uma terceirizada da Go Up no Brasil, identificada no material apenas como SCP, segundo o documento.
A empresária Karina Ferreira Gama, dona da Go Up Entertainment LTDA e do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu dinheiro do deputado Mário Frias (PL). — Foto: Reprodução/Redes Sociais
O inquérito da Polícia Civil disse, a princípio, que o organograma foi apreendido no "local 2", que seria um dos endereços alvo de busca e apreensão ligados à empresária Karina da Gama na região da Brasilândia, Zona Norte de SP.
Porém, um dos boletins de ocorrência que consta no inquérito que veio a público diz que o documento foi apreendido e lacrado sob o número 0021865, que está ligado a endereços do empresário André Feldman, da empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda.
Feldman já prestou serviços para o gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), tendo recebido R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026, dinheiro da cota parlamentar.
A própria Karina da Gama prestou serviços de campanha para Frias em 2022, quando ele foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo.
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O empresário André Feldman, dono da Complexsys Soluções Integradas Ltda, que emitiu nota e cancelou em favor do instituto de Karina da Gama. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
O que dizem os citados
O g1 contatou o empresário André Feldman e ele disse, por meio de seu assessor de imprensa, que "nunca viu o documento citado no inquérito e não reconhece a letra do que está escrito".
A defesa de Karina Ferreira da Gama não respondeu sobre o documento, mas sobre a operação da PF que apreendeu o documento informou que "apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação da Polícia Federal de quinta-feira (10)".
Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação e busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural.




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