Laboratório do Grupo Fleury, que no último ano teve 53 projetos implementados com startups Divulgação As cinco empresas de serviços médicos mais bem classificadas no Valor Inovação Brasil 2026 têm em comum uma visão estruturada de gestão da inovação. “Hoje, a…
As cinco empresas de serviços médicos mais bem classificadas no Valor Inovação Brasil 2026 têm em comum uma visão estruturada de gestão da inovação. “Hoje, a competitividade está diretamente relacionada à capacidade de gerar valor de forma contínua. Instituições que desenvolvem competências em inovação conseguem antecipar tendências, estabelecer parcerias estratégicas, atrair talentos e acelerar a adoção de soluções que fortalecem sua capacidade de resposta aos desafios do setor”, resume Sidney Klajner, presidente do Einstein Hospital Israelita.
A instituição persegue a inovação como forma de entregar vidas mais saudáveis a um número cada vez maior de pessoas. Neste ano, foi credenciada como Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) na área de saúde digital e também anunciou a criação de centros colaborativos de inovação (CCIs) por meio dos quais trabalhará com a indústria no desenvolvimento de novas tecnologias em saúde, sua validação clínica e a preparação das soluções para lançamento e uso em larga escala.
Segunda colocada no setor, a Dasa divide a inovação em três grandes blocos: tecnologia, técnica-médica e grandes parcerias com a indústria para modernização dos equipamentos. Por meio da tecnologia, o grupo focado em análises clínicas e medicina diagnóstica visa melhorar a experiência do usuário, provendo jornada digital de atendimento, exemplificado pelo Nav Dasa. Para estruturar a operação digital, a companhia integrou dados, passou pela transformação digital, fez investimentos em computação em nuvem, implementou um grande repositório centralizado de dados e avançou no modelo ágil.
Os agendamentos, antes por call center, estão atualmente concentrados nos canais digitais. Pode parecer simples, mas a marcação de exames tem especificidades que tornam o processo complexo. “Quando você vai fazer um grupo de exames, deve seguir uma ordem certa e preparos específicos. Colocamos inteligência artificial para a unificação dos preparos de exame”, detalha Rafael Lucchesi, CEO da Dasa, que atende anualmente cerca de 20 milhões de pessoas e realiza 400 milhões de exames. O agendamento digital se mostrou duas vezes mais rápido, com redução de 65% no volume de ligações; agora, 60% das jornadas são iniciadas pelo digital.
Com relação à inovação técnica, a Dasa tem um grupo de médicos que trabalha nas áreas de imagem e no laboratório central valendo-se da base de dados integrada. Resultam disso modelos de IA que pré-identificam nas imagens geradas pelos exames achados críticos de doenças e interagem com os médicos para dar um direcionamento de diagnóstico. “Esses algoritmos olham de uma forma ampla e ajudam o médico a ter uma maior acurácia e produtividade no trabalho do dia a dia”, frisa Lucchesi.
A inteligência artificial permeia toda a organização em frentes que incluem o uso de copilotos para aumentar a produtividade do médico, atuando como assistente na melhoria da qualidade do exame, transformação do atendimento ao cliente e curadoria de agentes de IA — a Dasa tem perto de 50 agentes de IA em estágios de produção e validação.
No ano passado, somando investimentos em tecnologia, na renovação dos parques e na área de inovação técnica-médica, a Dasa destinou pouco mais de 2,5% da receita líquida para inovação. Nos últimos três, também vem fazendo investimentos na área genômica que resultam no lançamento de testes a cada ano.
O centenário Grupo Fleury trata a inovação de forma transversal e estipula objetivos de curto, médio e longo prazos. No horizonte próximo, entram as melhorias contínuas e específicas, que juntas respondem por cerca de 70% das iniciativas e investimentos. No médio prazo, são projetos que demoram mais para serem feitos e têm risco, como experiência digital para pacientes, incorporação de novas metodologias e novos testes na rotina. No longo prazo, entram o desenvolvimento de novos negócios e ofertas e a participação em pesquisas.
Em 2025, foram gastos R$ 107 milhões com inovações que retornaram R$ 112 milhões em ganhos de eficiência e R$ 350 milhões em novas receitas. Os resultados são acompanhados dentro de uma janela de dois anos, por meio de metas. No último ano, foram 484 novos produtos e alterações de metodologias, 53 projetos com startups implementados dentro da organização e cem novos artigos científicos publicados.
Entre os destaques, Patrícia Maeda, presidente da unidade de negócios B2C do Grupo Fleury, aponta o painel cardiológico, que analisa 11 ceramidas plásticas diferentes para avaliar o risco cardiológico e o potencial de desenvolvimento de doença cardiológica cinco anos antes de ela aparecer. “A gente tem a propriedade intelectual desse exame, que será lançado no segundo semestre. Ele tem a característica de ajudar as pessoas a antecipar problemas futuros”, frisa Maeda.
A implantação de um novo núcleo técnico operacional (NTO) na sede em São Paulo ampliou em 30% a capacidade produtiva da unidade de negócio Lab-to-Lab, pelo qual o Grupo Fleury processa exames de oito mil laboratórios menores presentes em dois mil municípios. Através de uma esteira inteligente, na qual o transporte de amostras circula em carros individuais, é possível realizar roteamento dinâmico e priorização automática de amostras urgentes, trazendo padronização, velocidade e automação avançada. Com isso, 80% da rotina produzida é liberada em até 180 minutos e houve uma redução de 23% no tempo de entrega do exame, no comparativo entre janeiro de 2025 e o mesmo mês deste ano.
Já o A.C. Camargo Cancer Center destina em torno de 1,5% da receita líquida para investimentos em pesquisas — como descobertas científicas, desenvolvimento de biomarcadores e testes diagnósticos e genéticos para verificar mutações e alterações do tumor com finalidade de tratamento — e inovações voltadas à transformação digital da instituição, que é focada no combate ao câncer. Iniciado há dois anos, o projeto Dédalo (acrônimo para Desenvolvimento Estratégico da Pesquisa para Descobertas Aplicáveis à Jornada Oncológica) une o laboratório assistencial e o de pesquisa tecnológica e acadêmica. “É acoplar a nossa veia científica com a parte de inovação. Queremos desenvolver muitas pesquisas. Por exemplo, biomarcadores que sejam transferidos para a área assistencial. A gente pretende, até o fim do ano, trazer de dois a três novos testes”, diz José Humberto Fregnani, diretor de ensino, pesquisa e inovação.
Fregnani também destaca o desenvolvimento da jornada oncológica digital, com uso de um assistente baseado em inteligência artificial, abarcando desde o momento antes de a pessoa virar paciente até a vida após o câncer. “É um dos principais projetos da área de inovação P&D, porque não existe algo assim no mercado. Estamos desenvolvendo junto com o setor de TI para trazer uma melhor experiência para o paciente, facilidade no agendamento, acesso ao hospital e respostas a perguntas”, detalha. O projeto está em desenvolvimento e tem a perspectiva de cinco anos. A expectativa é ter um MVP antes do fim deste ano para ser testado.
Para acelerar o processo de inovação, a Rede D’Or estruturou uma diretoria de transformação assistencial, inovação e inteligência artificial, que integra iniciativas desenvolvidas em diferentes áreas, atuando de forma transversal em toda a organização. “Priorizamos projetos com potencial de melhorar a jornada do paciente, aumentar a segurança, facilitar a prática médica e gerar ganhos de eficiência em escala”, diz Rodrigo Gavina, CEO de hospitais na Rede D’Or, que conta com cerca de 70 unidades.
A instituição usa IA para apoiar decisões clínicas, otimizar agendas, integrar informações médicas e tornar a jornada do paciente mais simples e fluida, com integração e segurança. A consolidação da transformação assistencial, incluindo automações e inteligência artificial, foi o principal avanço no último ano, quando o grupo também expandiu as soluções capazes de identificar precocemente pacientes com doenças como câncer, hepatopatias, endometriose e doenças reumatológicas e cardiológicas.
O modelo de inovação é sustentado pela combinação entre assistência em larga escala e pesquisa científica, tendo o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) como um dos principais motores. “A integração entre hospitais e pesquisa permite transformar conhecimento em soluções aplicadas rapidamente à prática clínica, beneficiando pacientes, médicos e toda a operação”, ressalta Gavina. O planejamento do Idor prevê aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos até 2033 para ampliar atividades de pesquisa, ensino e inovação.




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