Discursos contra o sufrágio feminino voltaram a circular no país em meio à disputa eleitoral de 2026
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14.set.2026 às 8h44 Atualizado: 14.set.2026 às 9h01
BBC News Brasil em São Paulo | BBC News
Ataques ao voto feminino e ao direito das mulheres de irem às urnas ganharam holofotes em junho quando o influenciador Paulo Figueiredo, ligado à família Bolsonaro, criticou "a qualidade" do voto das mulheres.
A declaração de Figueiredo está longe de ser isolada. Nas redes sociais, circulam programas inteiros e "cortes" de vídeos e podcasts que acumulam milhares de curtidas e comentários ao exibir frases como "o voto feminino é o erro da democracia ocidental".
Outros trechos responsabilizam o sufrágio feminino por problemas da sociedade e pelas dificuldades da vida do homem moderno.
A BBC News Brasil passou três meses investigando a circulação desse tipo de mensagem e conversando com influencers que aparecem nesses vídeos para destrinchar esse fenômeno e suas possíveis consequências.
O resultado está nesta reportagem e no documentário O Ataque ao Voto Feminino, disponível no nosso YouTube.
Mapeamos um ecossistema digital que também abriga mulheres que afirmam que abririam mão do próprio direito de votar, como Fernanda Guardian, ou que já atacaram o voto feminino, caso da influencer Pietra Bertolazzi.
O discurso que parecia restrito a nichos da internet passou a ecoar no debate político do Brasil e nos círculos conservadores nos Estados Unidos.
A BBC News Brasil conversou com a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), a respeito do fenômeno na internet brasileira e mostrou a ela alguns dos vídeos.
"Isso aqui é democracia, as pessoas poderem falar até isso", reagiu ela, que hoje é a única mulher no Supremo.
"Se não tivessem voto, não teriam a liberdade para expressar o que a gente quer, inclusive para ser contra. É isso que a democracia garante, algo que uma ditadura não garante."
Cármen Lúcia disse que a simples proposição de mudar o direito ao voto no Brasil, hoje universal, é inconstitucional. Para extinguir o voto feminino no país, afirmou, "a Constituição tinha que ser rasgada".
Nas vozes desses influencers, o voto feminino vem sendo relacionado a mudanças que eles definem como prejudiciais aos homens. Muitos deles fazem parte da chamada machosfera e da cultura redpill, comunidades de valorização masculina que enaltecem um homem de força, dominante na relação, e que precisa estar em constante vigilância sobre as intenções de uma mulher.
Renato Amoedo é um desses influencers. Mais conhecido como Renato 38ão (uma referência ao calibre de revólver), ele tinha mais de 900 mil seguidores no Instagram em agosto, mas seu perfil não está mais disponível. Ele diz que sua conta foi derrubada. Trezoitão frequentemente aparece em podcasts no papel de polemista e é apresentado como alguém que não tem "medo de dar opinião".
Em um post deste ano no seu perfil, ele critica com termos chulos o voto de mulheres não casadas. Foram mais de 20 mil curtidas e quase 500 comentários, a maioria de apoio.




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